A jornalista Beatriz Oliveira Reis, repórter da TV Globo, relatou ter sido vítima de episódios de racismo após um mês de moradia em Belo Horizonte, Minas Gerais. A profissional, que anteriormente atuava na Rede Bahia, em Salvador, onde permaneceu por um ano e meio, compartilhou sua experiência por meio de uma publicação no Instagram, na qual descreveu a dor e o impacto emocional decorrentes do preconceito enfrentado na nova cidade.
Em sua postagem, Beatriz afirmou que, na Bahia, o racismo nunca a atingiu de forma direta, o que reforça a complexidade do tema ao ser vivenciado em diferentes regiões do país. Ela relatou que, ao chegar a Minas Gerais, a situação se materializou de maneira abrupta, como um “soco no estômago”, simbolizando uma ruptura emocional e uma lembrança brutal de que, muitas vezes, a cor da pele chega antes da história, formação ou humanidade de uma pessoa.
A repórter destacou que, diante do episódio, reagiu de forma firme, tentando manter a compostura diante da agressão. Contudo, ao fechar a porta do apartamento onde residia, ela revelou que desabou, vivenciando o que descreveu como uma experiência que muitas mulheres negras de pele clara enfrentam. Beatriz refletiu sobre as possibilidades que possui, mas também ressaltou que nunca teve privilégios, evidenciando a distinção entre possibilidades e privilégios na vivência de mulheres negras.
Ela também abordou uma das armadilhas mais perversas do racismo: a dúvida que ele provoca na própria vítima sobre o direito de rotular o ocorrido como violência. A jornalista admitiu que pensou em recuar e até mesmo em mudar de bairro para evitar novas situações de preconceito. No entanto, ao refletir sobre sua história familiar, ela encontrou força para seguir adiante.
Beatriz recordou a dedicação de sua mãe, que trabalhou arduamente para que ela chegasse até ali, e do seu pai, que enfrentou dificuldades ao abrir caminhos com enxadas. Ela também mencionou seus avós, que não puderam realizar sonhos por necessidade de sobrevivência. Essas lembranças a ajudaram a compreender que recuar significaria permitir que a violência de alguém atravessasse uma trajetória construída ao longo de gerações.
Ao final, a repórter revelou que um apoio inesperado a incentivou a seguir em frente, uma espécie de “anjos” que a lembraram de que não há espaço para recuos diante de uma violência que busca desestabilizar sua história e sua resistência. Ela concluiu afirmando que, apesar das adversidades, não permitirá que o racismo determine seus passos, reforçando seu compromisso de seguir firme na sua trajetória.









