As primeiras pesquisas de boca de urna divulgadas nesta terça-feira (27) apontaram uma pequena vantagem do Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sobre o Yashar, legenda liderada por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas de Israel. O resultado contrariou as expectativas indicadas pelas pesquisas de opinião anteriores, mas não foi suficiente para definir o vencedor da eleição parlamentar.
Embora o Likud aparecesse ligeiramente à frente, o bloco contrário a Netanyahu, que reúne também dois partidos predominantemente árabes, mantinha ampla vantagem sobre o primeiro-ministro e seus aliados nas projeções divulgadas pelas principais redes de televisão israelenses. Com isso, o cenário permanecia indefinido no momento em que a votação era encerrada na noite de terça-feira.
As pesquisas de boca de urna são utilizadas em Israel para indicar a força relativa das legendas, mas não são consideradas confiáveis para antecipar com precisão o número final de cadeiras conquistadas por cada partido. A definição do governo dependerá da apuração oficial e das negociações para a formação de uma maioria parlamentar.
Israel adota o sistema parlamentarista, no qual são necessários ao menos 61 deputados para formar um governo. Dessa forma, mesmo a legenda que obtiver o maior número de votos e cadeiras no Parlamento poderá precisar estabelecer alianças com outros partidos para alcançar a maioria.
O partido mais votado, portanto, não necessariamente será o responsável por formar o próximo governo. Esse cenário ocorreu após a eleição de 2021, quando o partido de Netanyahu conquistou a maior bancada, mas não conseguiu reunir apoio suficiente para formar uma coalizão majoritária.
Participação supera marca das últimas eleições
Ao longo do dia, o Likud solicitou à Comissão Eleitoral Central uma extensão do horário de votação. Netanyahu também convocou seus apoiadores a comparecerem às urnas. Eisenkot, principal adversário do primeiro-ministro, se posicionou contra a prorrogação.
A menos de duas horas do encerramento previsto, a comissão informou que o horário não seria ampliado. Apesar disso, eleitores que permanecessem nas filas às 22h teriam o direito de votar, segundo as regras comunicadas pela autoridade eleitoral.
A participação eleitoral atingiu níveis elevados. Uma hora antes do fim da votação, o comparecimento já havia superado o total registrado nas eleições anteriores. A Comissão Eleitoral Central informou que 74,3% dos eleitores aptos haviam votado até as 20h, o maior índice para esse horário desde 1988.
De acordo com Dean Livne, chefe da comissão, mais de 3,29 milhões de israelenses haviam comparecido às urnas durante a manhã, o equivalente a 44,9% do eleitorado habilitado.
Apesar da alta participação nacional, os dados divulgados pouco mais de três horas antes do encerramento mostravam um desempenho menos expressivo em áreas consideradas redutos de Netanyahu. Nas cinco cidades em que o Likud recebeu seus maiores índices de apoio nas eleições de 2022, o comparecimento estava até dez pontos percentuais abaixo da média registrada no país.
O bloco liderado por Netanyahu e uma coalizão informal de partidos de oposição fizeram esforços finais para mobilizar os eleitores. Foram registradas longas filas em seções eleitorais de várias regiões, enquanto a comissão reforçou que todos os cidadãos que estivessem aguardando nas filas no horário-limite poderiam votar.
Serviço militar de judeus ortodoxos esteve entre os temas centrais
Além da disputa entre os partidos, a eleição foi marcada por questões internas que dividem a sociedade israelense. Uma das principais envolve o serviço militar obrigatório para comunidades de judeus ortodoxos. O tema é motivo de polarização há anos, mas ganhou importância adicional diante dos conflitos recentes, que exigiram uma ampla mobilização das Forças Armadas.
Desde a invasão de Israel pelo grupo terrorista Hamas, Netanyahu conduziu uma extensa operação militar na Faixa de Gaza. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o conflito deixou 74 mil mortos e provocou o deslocamento de cerca de 90% da população do território.
A guerra também se estendeu para o Líbano, o Iêmen e, posteriormente, o Irã. A resposta militar israelense foi criticada por setores da comunidade internacional, principalmente na Europa Ocidental, em meio a acusações de genocídio e limpeza étnica contra a população de Gaza. Israel rejeita as acusações e afirma que elas têm motivação política.
O contexto contribuiu para a projeção política de Gadi Eisenkot, um ex-general respeitado pelo establishment israelense. Ele comandou o Exército entre 2015 e 2019, durante o governo do próprio Netanyahu.
Judeu sefaradita com raízes no Marrocos, como a maioria da população de Israel, Eisenkot ganhou espaço político depois do ataque do Hamas. Em 2025, fundou o partido Yashar, que passou a desafiar diretamente a liderança de Netanyahu.
Na média das pesquisas de opinião mais recentes publicadas pelo jornal Haaretz, o Yashar aparecia como favorito, com previsão de conquistar 23 cadeiras, contra 21 do Likud. As pesquisas de boca de urna, no entanto, indicaram uma vantagem do partido de Netanyahu, ampliando a incerteza sobre o resultado final.
Apuração será feita manualmente
Após o fechamento das urnas, teve início a contagem dos votos. O processo israelense utiliza pouca tecnologia na etapa inicial. Em cada uma das mais de 12 mil seções eleitorais, representantes dos partidos fazem a contagem manual das cédulas, acompanhados por observadores que usam câmeras corporais.
Depois da conferência, as cédulas são encaminhadas a centros regionais, onde os resultados passam a ser registrados eletronicamente. Somente após essa etapa, horas depois do encerramento da votação, as autoridades começam a divulgar os números oficiais.
A previsão é que a apuração não seja concluída antes da tarde de quinta-feira. Até lá, o resultado das urnas e a capacidade de cada bloco de reunir os 61 deputados necessários para governar continuarão no centro das negociações políticas em Israel.







