Nesta semana, Augusto Cury (Avante) chegou ao momento de sua primeira participação em uma eleição como candidato à Presidência da República, com a votação marcada para domingo, dia 4 de outubro. Desde que oficializou sua candidatura em 16 de agosto, o escritor e psiquiatra intensificou sua presença no cenário nacional, participando de debates, entrevistas e sabatinas, o que contribuiu para um crescimento momentâneo em suas intenções de voto. Sua campanha começou em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ao lado do vice, Júlio Delgado, também do Avante.
Desde o início, Cury adotou uma estratégia de crítica à polarização política, abordando temas como saúde mental, educação e os avanços e desafios relacionados à inteligência artificial. Seu discurso buscou atrair eleitores tanto da direita quanto da esquerda, ao defender uma postura de mente liberal para a economia e de coração social para as políticas públicas. Essa abordagem visou ampliar sua base de apoio, tentando se posicionar como uma alternativa que não se encaixava nos tradicionais polos políticos.
A maior visibilidade de sua campanha ocorreu após sua participação no debate promovido pela Band em 23 de agosto, seguido por sua presença na sabatina da TV Globo, em 29 de agosto. Nesse encontro, Cury apresentou propostas relacionadas à economia, tecnologia, segurança pública e à estrutura de governo, além de fazer comentários sobre os impactos da inteligência artificial, afirmando que o mundo passará por mudanças radicais nos próximos quatro ou cinco anos. Ele também sugeriu a criação de uma estrutura governamental dedicada ao tema.
Uma das propostas mais comentadas foi a ideia de utilizar drones em ocorrências de violência contra mulheres. Segundo Cury, esses dispositivos poderiam ser acionados por delegacias e chegar ao local antes da polícia, emitindo uma sirene para alertar as forças de segurança. A iniciativa gerou repercussão nas redes sociais, com usuários criando memes e vídeos brincando com a funcionalidade dos drones. O próprio candidato comentou de forma bem-humorada a circulação dessas brincadeiras, destacando que as publicações acabaram ajudando na divulgação de sua proposta.
A visibilidade crescente coincidiu com um aumento expressivo nas pesquisas de intenção de voto. Inicialmente, Cury tinha cerca de 2% de apoio em alguns levantamentos, mas atingiu picos de dois dígitos em setembro, chegando a 11% na pesquisa do BTG/Nexus ao final de agosto. Contudo, na reta final da campanha, seus números recuaram, com o Datafolha divulgado em 1º de outubro apontando 4% de apoio, enquanto o levantamento mais recente do BTG/Nexus indicou 5%.
Durante o mês de setembro, Cury manteve sua participação em debates e entrevistas, reafirmando críticas tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Questionado sobre uma possível posição caso não avançasse ao segundo turno, inicialmente afirmou que poderia apoiar Flávio Bolsonaro, caso ele explicasse seus envolvimentos com Daniel Vorcaro, dono do banco Master. No entanto, posteriormente, recuou dessa posição, deixando claro que não apoiaria nem Lula nem Flávio Bolsonaro na disputa final.
A estratégia de Cury de tentar unir diferentes espectros políticos, aliada à sua exposição na mídia e às propostas inovadoras, refletiu uma tentativa de se consolidar como uma alternativa ao tradicional cenário eleitoral. Ainda assim, suas intenções de voto permanecem abaixo do esperado para uma candidatura presidencial, mesmo com o crescimento momentâneo registrado ao longo do mês.








