O Brasil atingiu entre agosto de 2025 e julho de 2026 o menor nível de área sob alerta de desmatamento na Amazônia desde o início da série histórica, em 2016. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 7, pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), durante uma coletiva de imprensa realizada em São José dos Campos, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Conforme o relatório, uma área de 2.874,38 quilômetros quadrados esteve sob alerta de desmate no período, o que representa uma redução de 36,87% em relação ao mesmo ciclo no ano anterior. Este dado sinaliza uma melhora significativa na preservação da floresta, considerando o histórico recente de aumento das taxas de desmatamento na região. Além da Amazônia, o bioma do Cerrado também apresentou queda, embora em proporção menor, com uma área de 5.119,46 km² sob alerta, o que equivale a uma redução de 7,8% em comparação ao ciclo anterior.
Os números antecipam o ciclo anual de monitoramento do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), cuja divulgação oficial acontece tradicionalmente em novembro. A divulgação destes dados reforça o esforço do governo federal em acompanhar e controlar o desmatamento, especialmente após a retomada de políticas ambientais que haviam sido interrompidas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No âmbito da Amazônia, os estados que mais contribuíram para a redução foram Mato Grosso, com uma diminuição de 49% na área sob alerta, seguido pelo Amazonas, com 46,7%, e Rondônia, com 41,2%. Em contrapartida, Roraima apresentou um aumento de 32,5% na área desmatada, indicando que o avanço da destruição ainda persiste em algumas regiões.
No Cerrado, o estado de maior destaque na redução foi o Piauí, com uma queda de 51,2%. Minas Gerais, por outro lado, registrou o aumento mais expressivo, de 72,5%, demonstrando que o avanço do desmatamento ainda é uma preocupação na região.
O compromisso do governo Lula de zerar o desmatamento até 2030 tem sido uma das prioridades, e uma das ações estratégicas nesse sentido foi a retomada do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDam). Este plano, que havia sido paralisado no governo anterior, estabelece medidas de fiscalização e incentivos para que os municípios adotem práticas de controle e preservação das florestas.
Durante o discurso, Lula afirmou que, se o ritmo atual for mantido com seriedade e recursos adequados, a meta de redução do desmatamento pode ser alcançada. Ele também comentou sobre a importância de fortalecer a fiscalização e criticou declarações de políticos americanos, como o secretário de Estado Marco Rubio, a quem chamou de “anti-latino-americano”, além de mencionar a intenção de enviar dados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Observatório do Clima (OC), entidade que acompanha as questões ambientais, comemorou os resultados e destacou que os números demonstram que o Brasil conseguiu encontrar uma estratégia eficaz para conter a destruição das florestas tropicais. Segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a redução do desmatamento evitou a emissão de aproximadamente 2,238 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e), valor que corresponde ao total de emissões do país em um ano. O OC também ressaltou que o Brasil se posiciona como uma das nações que mais reduziram suas emissões de gases de efeito estufa nos últimos quatro anos.
Entretanto, a entidade alertou para o risco de retrocessos na agenda ambiental, caso projetos legislativos que visam flexibilizar o Código Florestal e reduzir a proteção de áreas de conservação avancem no Congresso. Recentemente, o Senado aprovou uma proposta que transforma uma parte da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, em Área de Proteção Ambiental (APA), categoria que permite atividades econômicas como pecuária e mineração, além de regularizações fundiárias.
O secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, reforçou que a redução do desmatamento representa um dos maiores legados ambientais do governo Lula, mas destacou que a continuidade dessa tendência depende de mudanças políticas mais amplas, incluindo maior apoio no Legislativo e uma maior coerência interna do próprio governo na defesa da agenda ambiental.








