O canal intitulado “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), atingiu a marca de mais de 4 milhões de inscritos no WhatsApp na noite desta segunda-feira, dia 12 de outubro. A plataforma foi lançada com o objetivo de mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha para o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O crescimento expressivo do canal ocorreu em meio a uma disputa judicial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que chegou a determinar a suspensão do grupo.
A controvérsia teve início após o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ingressar com ação no TSE solicitando a retirada do canal de Janones do ar. Flávio alegou que o grupo estaria sendo utilizado para disseminar propaganda eleitoral irregular e promover ações coordenadas de mobilização digital em favor do candidatura de Lula. O processo foi distribuído ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou que Lula, Janones e o vice-presidente Geraldo Alckmin apresentassem defesa em cinco dias, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro tinha um prazo de 72 horas para detalhar as supostas irregularidades.
No domingo, 11 de outubro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, chegou a ordenar a suspensão do canal em outro processo, impedindo a entrada de novos integrantes e a circulação de mensagens. Contudo, essa decisão foi posteriormente suspensa pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que restabeleceu o funcionamento do “Exército do Lula” e encaminhou o caso para análise no plenário da corte.
Na avaliação da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE, solicitada por Nunes Marques, uma análise realizada entre os dias 2 e 11 de outubro não identificou a circulação de notícias falsas específicas no canal. No entanto, o estudo apontou indícios de atuação coordenada e centralizada para ampliar a disseminação de conteúdos digitais. Entre as práticas identificadas estão orientações para que seguidores curtissem e compartilhassem publicações antes mesmo de assisti-las, além de ações organizadas para impulsionar hashtags nas redes sociais, o que sugere uma estratégia de mobilização digital mais estruturada.
De acordo com levantamento em tempo real realizado pelo portal Metrópoles, às 23h de segunda-feira, o “Exército do Lula” já contava com cerca de 4,1 milhões de seguidores. Em contrapartida, a “Tropa do Flávio”, criada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), somava aproximadamente 1,4 milhão de seguidores, configurando uma diferença de cerca de 2,7 milhões de seguidores entre os dois canais de mobilização digital.
O crescimento do canal de Janones foi atribuído por ele próprio à tentativa de Flávio Bolsonaro de retirar o grupo do ar. Em vídeo divulgado, Janones afirmou que a tentativa de censura, alegando irregularidades, acabou fortalecendo a mobilização a favor de Lula. O deputado declarou ainda que o grupo busca contribuir para a reeleição do presidente, afirmando que, após ocupar as ruas, estão agora na internet, com a intenção de garantir a vitória de Lula no segundo turno.
A disputa judicial no TSE evidencia a polarização e o uso de estratégias digitais na campanha eleitoral de 2022, envolvendo ações coordenadas para mobilizar apoiadores e influenciar o clima político. Apesar das determinações de suspensão temporária, o “Exército do Lula” permanece ativo, consolidando-se como um dos principais canais de apoio ao presidente nas redes sociais.








