O candidato Renan Santos, representante do partido Missão, uma legenda recém-criada e oficialmente registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2025, tentou estabelecer-se como a principal alternativa à polarização entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2023. Com pouca experiência no cenário político tradicional, Santos, que também é um estreante na campanha eleitoral, viu sua trajetória marcada por controvérsias e forte atuação nas redes sociais, além de uma campanha marcada por obstáculos jurídicos e institucionais.
Renan Santos foi oficializado como candidato em um evento realizado em São Paulo em agosto, que reuniu mais de duas mil pessoas. Como vice na chapa, ele escolheu o militar da reserva coronel Aroldo Medina. Desde o início, sua estratégia foi se posicionar como uma alternativa fora do sistema político tradicional, tentando captar eleitores que desejam uma mudança radical no cenário eleitoral. Sua tentativa de se consolidar como líder da terceira via buscou fugir da polarização entre Lula e Bolsonaro, mas os resultados das pesquisas mostraram um desempenho modesto, com Santos marcando apenas 3% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro, a três dias do primeiro turno. O percentual se manteve inalterado ao longo de toda a campanha.
Apesar do baixo apoio no levantamento oficial, Renan Santos conseguiu atrair atenção significativa nas redes sociais. Segundo dados da agência de análise Palver, ele liderou as menções em volume e foi o candidato com o maior percentual de menções favoráveis (38%) durante o primeiro debate eleitoral realizado em 23 de agosto. Este desempenho digital contrastou com sua baixa aceitação nas pesquisas tradicionais, destacando uma estratégia de comunicação que buscava ampliar sua visibilidade por meio de plataformas digitais.
No entanto, sua campanha enfrentou dificuldades institucionais. Uma semana após o debate, seus perfis nas redes sociais foram removidos após decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a suspensão parcial de suas atividades digitais. A medida ocorreu devido a atrasos na declaração de contas eleitorais, uma exigência da legislação eleitoral. Os 16 perfis do candidato — incluindo contas no Instagram, Facebook, TikTok e YouTube — só foram informados ao tribunal em 19 de agosto, 12 dias após o pedido de registro de candidatura, feito em 7 de agosto. A omissão levou à suspensão, sob alegação de atraso na prestação de contas, o que impactou sua presença digital na fase final da campanha.
A trajetória pública de Renan Santos remonta às manifestações de 2013, quando fundou o Movimento Brasil Livre (MBL) em 2014. O movimento ganhou notoriedade nacional ao liderar protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, consolidando-se como uma força de direita. Em 2018, Santos apoiou a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, mas posteriormente rompeu com o ex-presidente, entrando em conflito público com o senador Flávio Bolsonaro, também candidato na eleição atual.
Durante a campanha, Santos criticou o financiamento de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, à cinebiografia de Jair Bolsonaro, além de acusar Flávio Bolsonaro de copiar seus discursos e de evitar o confronto direto. Sua relação com o senador também foi marcada por polêmicas, incluindo uma disputa judicial envolvendo a filiação de Flávio ao partido Missão. O senador não conseguiu registrar sua candidatura inicialmente, após alegações de irregularidades na confirmação de sua filiação, que teriam sido feitas a partir de um e-mail oficial do próprio gabinete de Flávio. O caso foi levado ao STF, e o ministro Kassio Nunes Marques restabeleceu retroativamente a filiação do parlamentar ao partido, encaminhando a investigação para a Polícia Federal.
Renan Santos também protagonizou episódios polêmicos, como uma declaração de 2018 interpretada por muitos como apologia à violência sexual e machismo. Ele alegou que a fala teria sido uma provocação ou uma piada entre amigos, mas o episódio ainda é citado por analistas como um fator que influencia sua imagem pública.
Apesar de sua baixa performance nas pesquisas tradicionais, sua presença nas redes sociais e sua postura de outsider antissistema fizeram com que fosse considerado por alguns analistas como uma figura que tenta explorar o sentimento de insatisfação com as elites políticas. Sua campanha, marcada por polêmicas e obstáculos jurídicos, reforça o perfil de um candidato que busca se destacar por meio de estratégias de comunicação digital e posicionamentos controversos, mesmo com uma base de apoio eleitoral limitada até o momento.








