O Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente responsável por avaliar as decisões de moderação de conteúdo nas plataformas Facebook e Instagram, identificou “falhas recorrentes” na gestão de conteúdo relacionado ao período eleitoral. Em comunicado divulgado nesta terça-feira, 20 de outubro, o conselho destacou a necessidade de maior transparência por parte da empresa na aplicação de suas regras, especialmente no que diz respeito à integridade do processo eleitoral.
De acordo com o documento, o conselho manifestou preocupação com as repetidas falhas na implementação das políticas de moderação adotadas pela Meta. Entre os pontos destacados, está a atuação da plataforma no Brasil, onde foram apontadas irregularidades na restrição de contas de anúncios vinculadas à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essas ações geraram questionamentos quanto à imparcialidade da moderação de anúncios políticos durante o período eleitoral, reforçando a necessidade de uma postura mais transparente por parte da Meta.
O relatório também cita episódios anteriores que evidenciam inconsistências na aplicação das regras, como a remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato e restrições técnicas que afetaram contas de um candidato à presidência no Brasil. Essas ações, segundo o conselho, alimentaram alegações de interferência eleitoral por parte da plataforma, o que reforça a urgência de a Meta aprimorar seus mecanismos de fiscalização para garantir que suas práticas sejam justas, transparentes e consistentes.
Além das questões relacionadas à moderação de conteúdo, a matéria destaca que a campanha de Lula realizou testes nos quais a inteligência artificial da Meta teria se recusado a criar imagens do candidato, ao passo que produziu peças favoráveis ao candidato do PL. A empresa afirmou que reforçou seus filtros para impedir a criação de imagens de ambos os candidatos, negando qualquer favorecimento político. A Meta atribuiu os problemas técnicos identificados a falhas em seus sistemas, afastando, assim, a hipótese de manipulação deliberada em favor de qualquer candidatura.
O comunicado do Conselho de Supervisão foi divulgado na mesma data em que a Meta respondeu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o cumprimento de determinações da Corte relativas à sua atuação nas eleições de 2026. Na ocasião, a empresa afirmou que os conteúdos relacionados às candidaturas de Lula e de Flávio Bolsonaro (PL) são tratados de forma igualitária, garantindo a isonomia prevista pelas regras eleitorais brasileiras. A manifestação ocorreu após o ministro do TSE, Marco Aurélio Bellizze, determinar que a Meta apresentasse, em até 24 horas, comprovação de que havia cumprido a decisão da Corte de assegurar tratamento equitativo às campanhas presidenciais.
A postura da Meta, portanto, evidencia uma crescente pressão por maior transparência e responsabilidade na moderação de plataformas digitais, especialmente em períodos sensíveis como o eleitoral. A avaliação do Conselho de Supervisão reforça a necessidade de a empresa aprimorar seus mecanismos de fiscalização e garantir que suas ações estejam alinhadas às expectativas de imparcialidade e transparência, essenciais para a legitimidade do processo democrático.








