Eleitores de São Paulo, Salvador e Petrópolis relataram dificuldades para chegar aos locais de votação neste domingo (25/10), durante o segundo turno. As principais queixas envolveram a falta de ônibus e a redução da frota disponível em diferentes regiões das três cidades. Os problemas foram divulgados por moradores e partidos, que acionaram a Justiça Eleitoral para cobrar a manutenção do transporte público durante o período de votação.
Na capital paulista, o diretório estadual do PT informou ter identificado problemas no Itaim Paulista, na zona leste da cidade. A legenda também relatou uma diminuição no número de ônibus em circulação no centro de São Paulo e nas proximidades da Avenida Paulista. Segundo o partido, a redução teria dificultado o deslocamento de eleitores até as seções eleitorais.
O PT-SP ainda afirmou que a Viação Cometa não estaria disponibilizando a venda de passagens por meio do site da empresa. Em nota, o diretório pediu a apuração das condições de funcionamento tanto do sistema municipal de transporte quanto da companhia de viagens.
A situação em São Paulo ocorreu após uma decisão da Justiça Eleitoral tomada no sábado (24/10). A determinação obrigou a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans a manterem 100% da frota de ônibus em circulação durante o dia de votação. A medida buscava garantir o deslocamento dos eleitores e evitar que problemas no transporte impedissem o exercício do voto.
O descumprimento da ordem prevê multa de R$ 100 mil. A decisão também estabelece a possibilidade de responsabilização pessoal do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. As eventuais sanções podem ocorrer nas esferas criminal, civil e administrativa.
Federação aciona Justiça Eleitoral em Salvador
Em Salvador, moradores também reclamaram da ausência de ônibus nas ruas e da dificuldade para se deslocar até os locais de votação. Diante dos relatos, a federação formada por PT, PCdoB e PV acionou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).
A federação solicitou a prisão em flagrante do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), além da aplicação de multa de R$ 1 milhão por hora. O pedido também envolveu o secretário de Mobilidade, Pablo Souza, e os responsáveis pelas empresas de transporte coletivo. O grupo requereu ainda a investigação de possíveis crimes eleitorais.
O TRE da Bahia determinou a prisão de Pablo Souza. Em resposta às reclamações, a Prefeitura de Salvador afirmou que a circulação dos ônibus foi normalizada.
De acordo com nota da administração municipal, a operação do transporte foi suspensa no início da manhã em algumas garagens depois que veículos receberam adesivos de candidatos de maneira considerada clandestina. A prefeitura declarou que os ônibus teriam sido adesivados em apoio ao PT.
A coligação também pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação do segundo turno até as 19h. Bruno Reis é apoiador do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Falta de ônibus também é registrada em Petrópolis
Em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, eleitores igualmente relataram problemas com a oferta de ônibus neste domingo. No primeiro turno, a escassez de veículos já havia levado a Justiça a determinar o reforço da frota para a votação do segundo turno.
A Prefeitura de Petrópolis foi questionada pelo Metrópoles sobre a ausência de parte da frota e, até o momento, aguardava retorno. Os relatos nas três cidades colocaram o funcionamento do transporte público no centro das discussões sobre as condições de acesso dos eleitores às urnas.






