O Fundo Monetário Internacional (FMI) atualizou suas projeções econômicas para o Brasil, reduzindo a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país para 2,2% em 2026. A estimativa anterior, divulgada anteriormente, era de 2,4%. A revisão consta no relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira, dia 13 de outubro, e reflete uma avaliação mais cautelosa sobre o desempenho da economia brasileira nos próximos anos.
A nova previsão do FMI para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 representa uma diminuição em relação às projeções feitas há um ano, quando o fundo acreditava que o país poderia expandir sua economia em 2,4%. Apesar dessa redução, a estimativa do FMI ainda é mais otimista do que as projeções do próprio governo federal, que estima um crescimento de 2% para o mesmo período. Já o Banco Central do Brasil, por sua vez, projeta uma expansão de 1,8%, conforme o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado no final de setembro, no dia 24.
No cenário internacional, o FMI adotou uma postura mais otimista, elevando a previsão de crescimento da economia global para 3,1% em 2026, ante os 3% estimados em julho passado. Para 2027, a expectativa passou de 3,2% para 3,4%, indicando uma perspectiva de recuperação e maior dinamismo na economia mundial nos próximos anos.
No que diz respeito às economias emergentes, o FMI aponta que o Brasil terá um desempenho inferior ao de países como Índia e China, cujos crescimentos previstos são de 7% e 4,5%, respectivamente. Além disso, o crescimento do Brasil ficará abaixo da média da região da América Latina e do Caribe, que deve registrar uma expansão de 2,3% em 2026, segundo as estimativas do fundo. Para 2027, a previsão regional indica uma alta de 2,5%, embora o FMI tenha reduzido suas projeções para essa região em relação às estimativas feitas em julho, quando previa um avanço de 2,4%.
O relatório do FMI também destaca que a economia global deverá apresentar um crescimento superior ao do Brasil neste período, com uma expansão de 3,1% neste ano, reforçando a percepção de que o país terá desempenho relativamente modesto em comparação às demais regiões. A análise específica para a América Latina e o Caribe aponta uma expectativa de crescimento de 2,3% em 2026 e de 2,5% em 2027, com revisões para baixo em relação às projeções anteriores.
Além das projeções econômicas, o relatório aborda temas relacionados às políticas de combate à inflação e às estratégias de proteção social. Na semana passada, o FMI publicou um capítulo dedicado ao tema “Navegando em um Mundo Propenso a Choques: Lições das Crises de Custo de Vida”, no qual afirmou que subsídios não são a melhor forma de proteger populações vulneráveis de aumentos de preços provocados por choques de oferta. O fundo recomenda transferências de renda temporárias e direcionadas às famílias de baixa renda como a estratégia mais eficiente e de menor custo para lidar com a inflação de itens básicos, especialmente em contextos de desequilíbrios entre oferta e demanda causados por fatores como guerras e pandemias.
O FMI explica que choques de oferta, que representam grandes desequilíbrios entre oferta e demanda por fatores de impacto imediato e duradouro, têm sido responsáveis por crises recentes, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além da própria pandemia de Covid-19. Essas situações geram pressões inflacionárias que exigem respostas políticas específicas, como as recomendações do fundo, para minimizar seus efeitos sobre as populações mais vulneráveis.








