A inflação acumulada dos preços dos combustíveis no Brasil, de janeiro a setembro de 2025, quase dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo após a implementação de subsídios pelo governo federal. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de aumento no custo dos produtos utilizados nos veículos atingiu 4,49% neste ano, enquanto em 2024 o aumento foi de apenas 2,30%. Essa elevação ocorre em um contexto de forte impacto do aumento do preço do petróleo, influenciado pelas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, que elevam os custos internacionais do barril.
Para conter o impacto inflacionário provocado pela alta do petróleo, o governo brasileiro destinou aproximadamente R$ 40 bilhões em subsídios aos principais combustíveis, incluindo gasolina, diesel e etanol. Apesar dessas medidas, os preços continuam em ascensão, com o óleo diesel S10 registrando uma alta de até 20,85% desde o início do conflito no Oriente Médio, conforme levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em contrapartida, o etanol apresentou uma redução de 10,58% no valor médio de revenda, indicando variações específicas de mercado.
Os efeitos dos subsídios na contenção dos preços podem ser observados na gasolina comum, cujo valor médio no final de fevereiro era de R$ 6,28 por litro. Após o início do conflito, esse preço chegou a R$ 6,78, mas, na última pesquisa realizada em 10 de outubro, o valor recuou para R$ 6,54. Ainda assim, os preços permanecem elevados, refletindo a influência direta da instabilidade internacional no mercado de combustíveis brasileiro.
O comportamento inflacionário também é evidenciado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. Em março, o índice apresentou sua maior alta do ano, porém, os efeitos dos subsídios contribuíram para a redução dos preços de maio a agosto. Apesar disso, a inflação mensal de combustíveis permanece elevada, sendo a segunda mais baixa do atual mandato presidencial, após 8,37% em 2023 e um pico de 10,09% em 2024. No ano passado, o aumento foi de 2,3%.
A principal causa para a escalada dos preços é a guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro de 2025, que elevou o preço do barril do petróleo Brent, referência no mercado internacional, de cerca de US$ 70 para até US$ 120. Na manhã de 16 de outubro, o petróleo Brent negociado a US$ 105,90, apresentou estabilidade de 0,02% em 24 horas. A elevação do preço do petróleo impacta diretamente os custos do diesel, gasolina e gás de cozinha, devido à relação com o mercado global de energia.
O aumento no preço do petróleo é agravado por restrições na navegação pelo Estreito de Ormuz, uma rota vital de transporte do petróleo produzido na região do Golfo Pérsico, que inclui países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Irã. Além disso, a produção de petróleo russo também sofre impacto, conforme relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), divulgado em 14 de outubro, que aponta queda na produção e exportação de óleo diesel devido a danos causados por drones ucranianos às refinarias russas.
Por fim, a escassez de combustíveis, especialmente de diesel, deve persistir até o final de 2026, segundo a IEA, que prevê um mercado deficitário mesmo com a redução na demanda global. Essa conjuntura deve representar um desafio para o próximo governo brasileiro, independentemente de quem assumir a presidência em 2027, seja o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, ou o senador Flávio Bolsonaro.







