A questão da mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno da eleição presidencial de 2023 tornou-se um dos principais desafios para os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha. No dia 4 de outubro, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, o que corresponde a 21,08% do eleitorado apto, optaram por não votar, ampliando a complexidade de conquistar votos na fase decisiva do pleito.
Segundo uma pesquisa divulgada pelo levantamento Real Time Big Data em 8 de outubro, uma parcela significativa desses ausentes demonstra resistência à participação na votação de 25 de outubro. Dos entrevistados que não compareceram ao primeiro turno, 40% afirmam categoricamente que não irão às urnas nesta segunda fase, enquanto outros 38% indicam que provavelmente também não votarão. Apenas 22% consideram a possibilidade de comparecer, incluindo aqueles que afirmam que talvez, provavelmente ou certamente votarão. A pesquisa, que ouviu 1.6 mil pessoas entre os dias 6 e 7 de outubro, possui uma margem de erro de três pontos percentuais.
Esse cenário revela a dificuldade de mobilizar esse contingente de eleitores, sobretudo em uma disputa acirrada, na qual Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Para o candidato do PT, a redução da abstenção é vista como a principal estratégia para reverter a vantagem do adversário. Assim, a campanha petista busca ampliar sua comunicação, reforçar a presença nas ruas e mobilizar lideranças políticas e apoiadores para conquistar eleitores além de sua base tradicional. A região Nordeste, que apresentou uma vantagem expressiva para Lula no primeiro turno, permanece como um foco estratégico, embora já registre uma taxa de abstenção menor do que outras regiões do país. A campanha, portanto, precisa equilibrar a mobilização de quem já apoia Lula e a tentativa de atrair novos eleitores, incluindo aqueles que não participaram da votação anterior.
A comunicação do PT também enfrenta o desafio de convencer eleitores que se abstiveram por desinteresse ou insatisfação com as opções disponíveis. Nesse contexto, a estratégia de ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado e reforçar propostas de governo torna-se fundamental. Em 9 de outubro, o senador Camilo Santana (PT-CE), integrante da coordenação da campanha, afirmou que Lula priorizará agendas nos maiores colégios eleitorais do país — Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — regiões que registraram taxas de abstenção acima da média nacional, buscando ampliar sua base de apoio nesses locais.
De outro lado, Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de consolidar sua dianteira conquistada no primeiro turno e ampliar sua votação até o dia 25 de outubro. Para isso, sua campanha busca manter a mobilização de sua base de apoiadores e atrair eleitores que não participaram da votação anterior, com ênfase em temas como custo de vida, endividamento das famílias e segurança pública. A atuação de aliados políticos, lideranças regionais e apoiadores nas redes sociais também faz parte da estratégia de mobilização. Contudo, até o momento, não há confirmação pública de uma operação específica voltada exclusivamente aos eleitores ausentes.
A abstenção, entretanto, não constitui um bloco homogêneo de eleitores. Entre os que não votaram, há pessoas que enfrentaram dificuldades para comparecer às urnas, eleitores desmotivados e cidadãos que não se identificam com nenhuma das candidaturas. Assim, o aumento do comparecimento não garante, por si só, vantagem definitiva para Lula ou Flávio. A pesquisa reforça que uma parcela expressiva dos eleitores que faltaram no primeiro turno demonstra resistência ou indiferença em relação ao processo eleitoral, com 78% dos entrevistados que se abstiveram afirmando que certamente ou provavelmente não irão às urnas na segunda fase.
Por fim, é importante destacar que cada turno é considerado uma votação independente para fins de comparecimento. Portanto, a ausência na primeira etapa não impede que o eleitor participe do segundo, desde que esteja apto a votar. Com a votação marcada para 25 de outubro, Lula e Flávio terão que equilibrar esforços para manter seus apoiadores e convencer uma parcela do eleitorado que optou por não votar na primeira rodada, estratégia que dependerá tanto da capacidade de cada campanha de alcançar esse público quanto das preferências políticas dos eleitores que efetivamente comparecerem às urnas na data prevista.









