Após terminar o primeiro turno das eleições presidenciais em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou um processo de reavaliação de suas estratégias de campanha para o segundo turno, incluindo possíveis mudanças na composição da equipe de coordenação. A disputa eleitoral apresentou um resultado apertado, com Flávio Bolsonaro conquistando 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% do total, enquanto Lula obteve 53,8 milhões de votos, ou 45,16%, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Na última segunda-feira (5 de outubro), Lula se reuniu em Brasília com integrantes de sua equipe de campanha, lideranças de partidos aliados e candidatos apoiados por ele que participaram das eleições. O objetivo do encontro foi ouvir sugestões, ajustar estratégias e definir metas para os 19 dias que restam até o segundo turno. Entre as orientações, destacou-se a prioridade de ampliar a votação no Nordeste, região tradicionalmente favorável ao petista, que apresentou desempenho inferior ao registrado em 2022 em todos os seus estados.
Segundo fontes próximas à campanha, todos os governadores apoiados por Lula que foram reeleitos no primeiro turno comprometeram-se a fortalecer a campanha presidencial, mesmo com suas vitórias estaduais já garantidas. As maiores perdas de votos ocorreram no Maranhão, onde Lula passou de 68,84% para 63,91%, uma redução de 4,94 pontos percentuais, e na Bahia, de 69,73% para 66,04%, queda de 3,68 pontos. Além disso, a campanha busca reduzir o índice de abstenção, que atingiu 21% dos eleitores no primeiro turno — cerca de 33,4 milhões de pessoas —, um recorde desde 1998, além de convencer eleitores que votaram em branco ou nulo, que totalizaram aproximadamente 6 milhões de votos, representando 4,8% do total.
Lula também sinalizou uma mudança na postura em relação aos debates presidenciais. Durante a campanha, evitou participar de confrontos diretos, temendo ser alvo de ataques dos candidatos de direita, incluindo Flávio Bolsonaro. No entanto, agora, o petista manifesta interesse em participar de debates com o adversário, especialmente com Flávio, a quem deseja enfrentar em um confronto direto. A intenção é participar de todos os debates até o segundo turno, incluindo os promovidos pela TV Band e pela TV Record no próximo domingo (11 de outubro), embora haja a possibilidade de adiamento ou cancelamento devido ao conflito de datas. O último debate entre os candidatos está marcado para 25 de outubro, na TV Globo, dois dias antes do segundo turno.
Na estratégia de comunicação, temas como soberania, minerais críticos, terras raras e o proposta de fim das apostas devem continuar sendo explorados em peças publicitárias. Além disso, a campanha planeja uma “guerra de CPF”, uma comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro, destacando os feitos, histórico e biografia do petista, com o objetivo de esclarecer a identidade do adversário para o eleitorado, que ainda tem dificuldades em reconhecer o perfil do candidato bolsonarista.
Durante a reunião, Lula ouviu sugestões de aliados, incluindo o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que recomendou maior produção de vídeos em formato selfie e conteúdos direcionados às regiões. Apesar disso, o presidente reafirmou sua preferência por manter o estilo de campanha baseado em comícios e contato direto com o eleitor, sem abrir mão de sua estratégia tradicional.
Quanto à equipe de marketing, há discussões internas sobre uma possível substituição do publicitário Raul Rabelo, atualmente responsável pelo marketing da campanha, por João Santana, conhecido por conduzir as campanhas vitoriosas de Lula em 2006, Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Santana também atuou nas campanhas de Ciro Gomes ao governo do Ceará e de ACM Neto ao governo da Bahia, em 2026, embora sem sucesso eleitoral. A possibilidade de troca tem gerado debates entre aliados, alguns dos quais defendem reforçar a equipe com mais nomes, enquanto outros acreditam que a prioridade deve ser o fortalecimento das coordenações estaduais para uma atuação mais próxima ao eleitor.
Além do marketing, há discussões sobre mudanças na Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), com nomes como o apresentador José Luiz Datena (PSB) sendo sugeridos para o comando da pasta. Datena, que tentou uma vaga de deputado federal por São Paulo e não foi eleito, é visto por alguns aliados como uma alternativa para ampliar a presença do governo na comunicação oficial.








