Na noite deste sábado (10/10), milhares de devotos participaram da Trasladação, última romaria do calendário do Círio de Nazaré em Belém, que antecede a tradicional procissão principal realizada na manhã do domingo. O cortejo, que saiu do Colégio Gentil Bittencourt e seguiu até a Catedral Metropolitana, contou com a presença de fiéis que acompanharam o percurso, reforçando a importância da tradição religiosa na cidade e na região.
A Trasladação, que ocorre anualmente, representa a passagem da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, símbolo central da festividade, do local onde ela foi inicialmente levada durante o período colonial até a Catedral, onde permanece até o momento da procissão principal. A origem dessa tradição remonta ao período colonial, quando a imagem era trasladada em uma pequena procissão da Igreja Matriz ao Palácio do Governo, uma prática que, com o tempo, ganhou maior participação popular e se consolidou como parte integrante do calendário do Círio. Desde 1988, a Trasladação percorre o mesmo trajeto da procissão principal, porém em sentido contrário, reforçando o simbolismo de preparação e acolhimento dos fiéis para o grande evento.
Antes do início da Trasladação, a imagem peregrina percorreu diferentes pontos da Região Metropolitana de Belém, incluindo a Romaria Rodoviária, a Romaria Fluvial e a Moto Romaria, realizadas ao longo do dia. Às 11h30, ela chegou à Escadinha do Cais do Porto, vindo do interior da cidade, e seguiu por terra até o Colégio Gentil Bittencourt, ponto de partida do cortejo noturno. Essas atividades reforçam a participação de diversas comunidades na celebração, além de promover a integração de diferentes modalidades de romarias.
A circulação da imagem de Nossa Senhora de Nazaré não se limita ao período do Círio. Entre 1º de janeiro e 29 de agosto deste ano, foram registradas 509 visitas da Imagem Peregrina, um aumento de 97,3% em relação às 258 ocorridas no mesmo período de 2025. Essa alta evidencia a crescente devoção e o fortalecimento da tradição, que também ultrapassa as fronteiras do Pará, chegando até a Guiana Francesa, ampliando sua abrangência e impacto cultural.
Um dos elementos mais simbólicos do evento é a corda conduzida pelos promesseiros, que acompanha toda a romaria. Tanto a Trasladação quanto o Círio utilizam uma estrutura de aproximadamente 400 metros, produzida no Pará com fibras de malva amazônica, que passam por inspeções de segurança antes das romarias. Em 2026, a corda foi produzida com fibras locais, reforçando a identidade regional e a sustentabilidade do processo.
A organização do evento mobiliza uma operação de segurança que conta com mais de 5 mil agentes, além de drones, cerca de 750 viaturas e motocicletas, garantindo a integridade dos participantes durante as romarias. A Polícia Militar reservou atenção especial à Trasladação e à procissão principal, que está marcada para começar às 7h deste domingo, após missa às 6h na Catedral Metropolitana. Estima-se que mais de 2,5 milhões de pessoas participem das celebrações pelas ruas de Belém, movimentando a economia local de forma significativa.
Segundo pesquisa do Observatório do Turismo do Pará em parceria com o Departamento de Economia e Estatística (Dieese), a expectativa para este ano é de chegada de aproximadamente 105 mil turistas, que devem gerar uma movimentação financeira estimada em R$ 207,5 milhões. Esse valor representa um aumento de 4,4% em relação ao registrado em 2025, reforçando a importância econômica do Círio para a região. A 234ª edição do evento promete consolidar sua posição como uma das maiores manifestações religiosas do Brasil, unindo fé, cultura e economia em uma celebração de grande magnitude.








