O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atual presidente do Senado Federal, vivem um momento de maior aproximação após meses de tensões e distanciamentos. A reaproximação ocorre em um contexto de interesses mútuos relacionados às suas reeleições, com Lula buscando consolidar sua candidatura à reeleição na disputa presidencial, enquanto Alcolumbre avalia suas chances de reeleição à presidência do Senado em fevereiro de 2027.
Recentemente, Alcolumbre demonstrou sua disposição de apoiar o governo ao pautar e votar em plenário a proposta que elimina a escala de trabalho de seis dias seguidos por apenas um de folga, uma das principais bandeiras da campanha de Lula neste ano. A aprovação e promulgação dessa proposta, que contou com o apoio do senador do Amapá, marcou uma virada na relação com o petista, além de representar uma vitória simbólica para o presidente, que vinha enfrentando dificuldades na Casa, especialmente após a rejeição da indicação do governo para o Supremo Tribunal Federal (STF) de Jorge Messias, advogado-geral da União, em abril. Tal rejeição foi histórica, pois não ocorria uma negativa a uma indicação presidencial desde 1894.
Até então, a relação entre Lula e Alcolumbre era marcada por momentos de maior alinhamento, especialmente durante a tramitação da pauta do fim da escala 6×1, iniciada em maio e que só avançou de fato em agosto. Essa demora gerou críticas de figuras da oposição, como a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP), que cobrava ações mais rápidas do Casa. O desgaste também foi agravado por escândalos envolvendo fraudes bancárias, como o caso do banco Master, além de pressões da oposição para que o Senado abrisse processo de impeachment contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, o que Alcolumbre resistiu a fazer.
A reaproximação entre Lula e Alcolumbre não foi motivada apenas pelo desgaste com a oposição. Segundo fontes próximas, o esforço para retomar o diálogo foi impulsionado por lideranças do PT, especialmente o senador Camilo Santana (CE), que coordena a campanha do presidente. Após encontros realizados em agosto — um na casa do ministro Alexandre de Moraes e outro no Palácio do Alvorada —, o clima entre os dois líderes começou a melhorar. Além disso, o governo sinalizou interesse na região do Amapá, onde a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, fato que levou Lula a visitar o estado ao lado de Alcolumbre, reforçando a união.
Apesar do avanço, o cenário político ainda é marcado por tensões. Lula minimizou as diferenças durante a cerimônia de promulgação da PEC que acaba com a escala 6×1, descrevendo os conflitos como “futricas” e “bobagens”. Ele afirmou que, por vezes, parecia que ele e Alcolumbre eram “dois inimigos”, mas que tais desentendimentos não passavam de questões menores.
No entanto, o fortalecimento da base de apoio de Lula, que deve alcançar 28 senadores em 2027, intensificou a disputa pelo comando do Senado. O grupo liderado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), principal opositor e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), já sinaliza que pode lançar candidatura contra Alcolumbre, que também enfrenta resistência interna por parte do próprio partido e do Planalto, caso sua reeleição não seja apoiada. Essa disputa interna ficou evidente após bate-boca em plenário, quando Marinho criticou a postergação de votações importantes, como a PEC da Segurança, e Alcolumbre optou por adiar a análise de propostas polêmicas, como a redução da maioridade penal.
Assim, o cenário político permanece dinâmico, com alianças e disputas que podem influenciar o equilíbrio de forças no Congresso nos próximos anos, especialmente considerando o impacto das reeleições de Lula e Alcolumbre e a consolidação de grupos de oposição e apoio ao governo.








