O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, anunciou que entrará em licença a partir desta segunda-feira, dia 12 de novembro, com o objetivo de concentrar seus esforços na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorre em um momento estratégico, a apenas duas semanas do segundo turno, e após o resultado do primeiro turno, realizado em 2 de outubro, que colocou Lula em uma posição de desvantagem em relação ao seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).
No primeiro turno, Lula obteve 45,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro conquistou 47,03%, uma diferença de 1,87 pontos percentuais. Apesar de Lula ter ficado atrás na disputa, a campanha do PT trabalha para recuperar terreno na reta final, adotando uma série de estratégias voltadas a ampliar a base de apoio e consolidar votos que ainda podem ser conquistados. A decisão de Sidônio Palmeira de se afastar temporariamente da função na Secom tem como objetivo reforçar essa fase decisiva do processo eleitoral.
A mudança na equipe de coordenação do comitê petista também marca o momento. A partir desta semana, o núcleo de comando passou a contar com nomes de peso, como o ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana, que assumiu a coordenação política; o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, senador eleito pela Bahia, responsável pela coordenação da agenda; e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que ficou encarregado da comunicação. Ainda assim, a coordenação geral permanece sob o comando do presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Tanto Edinho quanto Sidônio Palmeira enfrentaram críticas internas após o resultado do primeiro turno, especialmente devido à influência de Palmeira na estratégia de comunicação do candidato Lula. Apesar de não atuar formalmente na campanha, o ministro da Secom possui forte ligação com o setor de marketing, sendo sócio do publicitário Raul Rabelo, responsável pelo marketing de Lula em 2022, quando o petista conquistou seu terceiro mandato presidencial. Lula reconheceu, em reunião na última quarta-feira, dia 7 de outubro, que a campanha deste ano foi a “menos organizada” desde 1989, quando tentou inicialmente chegar à Presidência.
Entre as prioridades da campanha na fase final estão ações para conquistar eleitores que votaram em branco ou nulo, além de esforços para reduzir a abstenção, convertendo esses votos em apoio a Lula. A estratégia também inclui a tentativa de ampliar o desempenho no Sudeste, além de recuperar votos no Nordeste, que historicamente é uma das regiões mais fortes ao PT. No entanto, em todos os estados nordestinos, o presidente teve desempenho inferior ao registrado na eleição de 2022, o que motiva uma atenção especial à região.
A comunicação do comitê também passou por ajustes, com foco na presença digital do candidato. Lula tem intensificado sua produção de vídeos em formato selfie, adotando uma linguagem mais informal e uma produção mais simples, com o intuito de se aproximar do eleitorado nas redes sociais. Entre quarta-feira e sexta-feira, dias 9 e 10 de outubro, o presidente publicou 13 vídeos nesses moldes, buscando maior engajamento e visibilidade.
Na reta final, Lula também tem intensificado ataques a Flávio Bolsonaro, explorando casos como o Banco Master e a posição do senador contrária à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. O petista tem destacado os riscos de uma eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobretudo em relação aos programas sociais, além de explorar o chamado “tesouraço” anunciado por Flávio, que prevê cortes de R$ 200 bilhões no orçamento federal caso seja eleito.
A estratégia do PT inclui ainda o fortalecimento dos palanques de aliados em disputas estaduais e a realização de atos em grandes colégios eleitorais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, nas próximas semanas, na tentativa de consolidar a vantagem no cenário nacional e garantir a vitória no segundo turno.







