O Banco Central divulgou nesta terça-feira (13) que o montante de recursos financeiros não reclamados, conhecidos como dinheiro esquecido, totalizava aproximadamente R$ 5,79 bilhões até o mês de agosto de 2026. Esses valores permanecem depositados em bancos e outras instituições financeiras, aguardando serem reivindicados pelos respectivos titulares ou seus representantes legais. A consulta para verificar a existência de valores disponíveis pode ser realizada por pessoas físicas e jurídicas por meio do Sistema Valores a Receber (SVR), ferramenta oficial do Banco Central.
Do total de recursos disponíveis, cerca de R$ 4,31 bilhões pertencem a aproximadamente 23,94 milhões de indivíduos, enquanto R$ 1,48 bilhão estão vinculados a 2,36 milhões de empresas. Esses números representam uma alta de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados no mês anterior, indicando uma retomada do crescimento dos valores a serem resgatados após uma fase de redução provocada, em parte, pela transferência de recursos para programas de renegociação de dívidas do governo federal.
A maior parte desses recursos está concentrada em instituições financeiras, com os bancos sendo responsáveis por administrar a maior parcela do montante. A distribuição por tipo de beneficiário revela que a maioria dos titulares possui valores de pequeno valor, o que reforça a importância do sistema de consulta para evitar perdas financeiras de cidadãos e empresas.
Para realizar a consulta, o usuário deve acessar exclusivamente o portal do Sistema Valores a Receber, onde é necessário informar dados pessoais, como CPF e data de nascimento, no caso de pessoas físicas, ou os dados da empresa, conforme solicitado pelo sistema. Após verificar a existência de recursos, o interessado pode solicitar o resgate seguindo as orientações apresentadas na plataforma. Quando a devolução por Pix estiver disponível, o valor pode ser transferido em até 12 dias úteis, conforme o procedimento padrão do sistema.
Para quem não possui chave Pix, a orientação é procurar a instituição financeira responsável pelo depósito para combinar outra forma de recebimento. Além disso, no caso de valores de pessoas falecidas, a solicitação deve ser feita por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, conforme as exigências do sistema e das instituições financeiras envolvidas.
O dinheiro esquecido refere-se a recursos que pertencem a clientes, mas que permanecem depositados nas instituições financeiras sem serem resgatados por longos períodos. Essas informações são consolidadas pelo Banco Central, que alerta que o serviço de consulta é gratuito e que não há necessidade de pagar intermediários para recuperar os valores. Para evitar fraudes, o Banco Central reforça que não realiza envios de links ou contatos solicitando dados pessoais ou confirmações de valores.
No mês de maio, o governo anunciou a utilização de recursos esquecidos para financiar o programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas. Na ocasião, aproximadamente R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que oferece garantias às instituições financeiras em operações de crédito. Segundo o governo, 10% do saldo transferido foi segregado para atender a possíveis pedidos de resgate pelos titulares desses recursos.
Contudo, essa operação vem sendo alvo de investigação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura o uso dos valores em programas federais fora do orçamento oficial. A preocupação central está relacionada ao fato de que valores movimentados fora do orçamento não estão sujeitos aos mesmos limites fiscais das despesas públicas, o que poderia exigir o bloqueio de outras despesas discricionárias do governo caso esses gastos sejam formalizados.
Essas questões reforçam a importância de monitorar o destino dos recursos públicos e de garantir a transparência na gestão de valores que, por direito, pertencem aos cidadãos brasileiros.









