A briga entre Romeu Zema e a família Bolsonaro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (14), com trocas públicas de acusações e a decisão do entorno do ex-governador de Minas de partir para a ofensiva. O estopim foi a declaração de Zema de que os áudios enviados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, eram “um tapa na cara” de quem esperava outra postura de um presidenciável.
A fala veio após a revelação de que Flávio cobrou dinheiro de Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Áudios divulgados pelo portal Intercept Brasil apontam que o senador pediu R$ 130 milhões para ‘Dark Horse’, obra que ainda está em produção.
“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, declarou.
‘Comedor de casca de bananas’ e ‘forma vil’, dizem irmãos de Bolsonaro à Zema
A reação dos irmãos do senador foi imediata. Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, chamou Zema de “comedor de casca de bananas“, em referência a um vídeo em que o então governador criticou a alta do preço dos alimentos e disse que ele estava “passando todos os limites”.
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, acusou o mineiro de se aproveitar da situação “de forma vil”, sem sequer ouvir o outro lado. “Bastou um par de horas para a ‘união da direita’, e o potencial vice se aproveita e larga esta acusação sem fundamentos”, escreveu. Já o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, classificou Zema de “oportunista”.
A resposta veio numa publicação curta no X. “Para quem não sabe diferenciar oportunismo de coerência: o problema é seu“, postou o ex-governador.

Estratégia de campanha
Reservadamente, interlocutores da pré-campanha de Zema confirmam que a orientação agora é “ir para cima” do senador, apesar da boa relação que mantinham até aqui e das especulações de que o mineiro poderia ser vice numa chapa encabeçada por Flávio. A avaliação nos bastidores é de que “todo apoio tem um limite” e de que o episódio abre espaço para Zema crescer na disputa pelo eleitorado de direita.
Embora ainda seja cedo para medir o impacto eleitoral da crise, aliados do ex-governador apostam que a própria campanha se encarregará de associar Flávio a um dos maiores escândalos bancários recentes do país — Vorcaro está preso em São Paulo, acusado de chefiar um esquema de fraudes bilionárias.








