A Polícia Civil de Minas Gerais abriu um Processo Administrativo Disciplinar que pode resultar na demissão da delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, esposa de Renê da Silva Nogueira Junior, que confessou ter matado o gari Laudemir Fernandes. A medida foi oficializada por meio de portaria publicada pela Corregedoria-Geral no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (23).
Segundo o documento, a delegada é investigada administrativamente por possíveis infrações disciplinares previstas na Lei Estadual nº 5.406/69. As condutas apuradas podem levar à demissão.
As investigações estão relacionadas ao caso ocorrido em agosto de 2025, quando Renê Junior matou o gari durante uma discussão de trânsito usando uma arma registrada no nome da delegada. Na Justiça, ela responde por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido e por prevaricação, que ocorre quando um servidor público deixa de cumprir ou retarda um ato de ofício de forma indevida, ou age contra a lei para atender interesse pessoal.
A portaria também determina a criação de uma comissão especial para conduzir o processo. O grupo será presidido pelo delegado Rodrigo Baptista Damiano e terá como membros as delegadas Karla Silveira Marques Hermont e Daniel de Andrade Ribeiro Teixeira, todos da Corregedoria. O processo foi instaurado por determinação da corregedora-geral Elizabeth de Freitas Assis Rocha e deve ser concluído em até 60 dias, podendo ser prorrogado uma vez pelo mesmo período.
O crime aconteceu na manhã de 11 de agosto de 2025, na rua Modestina de Souza, no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. De acordo com testemunhas, um caminhão de lixo estava parado durante a coleta quando Renê Junior, que dirigia um carro, exigiu passagem. Durante a discussão, ele efetuou o disparo que matou o gari.
A Polícia Civil informou que a arma usada no crime estava registrada em nome da delegada e era de uso pessoal dela. Renê afirmou que pegou a arma sem autorização e disse que a esposa não sabia do crime. Mesmo assim, ela passou a ser investigada pela Corregedoria.
Renê Junior foi preso poucas horas depois do crime, enquanto estava em uma academia no bairro Estoril, também na região Oeste da capital.





