Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher representantes do Congresso nas chamadas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação segue uma regra definida há mais de 180 anos, que estabelece a realização do pleito na primeira terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro.
O calendário eleitoral nacional começou a ser organizado em 1845, quando o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei determinando a data das eleições presidenciais. A norma foi criada para padronizar o processo em todo o país e levou em consideração as condições de vida da população americana no século 19.
Naquele período, a maior parte dos eleitores vivia em áreas rurais e dependia da agricultura. Novembro foi escolhido porque as principais colheitas já haviam terminado, o que liberava os trabalhadores do campo para participar da votação. Além disso, o mês ainda oferecia condições climáticas consideradas razoáveis para as viagens, antes da chegada do inverno, que poderia dificultar o deslocamento entre comunidades.
A definição da terça-feira também esteve relacionada às longas distâncias que muitos eleitores precisavam percorrer para chegar aos locais de votação. Com a viagem normalmente feita por estradas e sem os meios de transporte disponíveis atualmente, a escolha do dia permitia que os cidadãos saíssem de casa na segunda-feira, votassem na terça e retornassem a tempo de retomar suas atividades.
O calendário também considerou a rotina religiosa e comercial da população. O domingo era tradicionalmente reservado às atividades religiosas, enquanto as quartas-feiras eram dias de mercado em diversas comunidades. A terça-feira, portanto, foi vista como uma alternativa que interferia menos nos compromissos já estabelecidos.
A legislação ainda determinou que a eleição não deveria ocorrer em 1º de novembro, data em que é celebrado o Dia de Todos os Santos. Por isso, a regra foi formulada como “a primeira terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro”. Esse critério evita que o pleito coincida com o primeiro dia do mês, independentemente do dia da semana em que ele caia.
Regra foi ampliada para o Congresso
Inicialmente relacionada às eleições presidenciais, a definição do calendário foi estendida pelo Congresso às disputas legislativas. Em 1872, os parlamentares aprovaram a ampliação da regra para as eleições da Câmara dos Representantes, a partir de 1876. Posteriormente, o mesmo calendário passou a orientar também as eleições para o Senado.
Atualmente, há movimentos que defendem a transferência da votação para um sábado ou domingo. Os grupos argumentam que a mudança poderia facilitar a participação de trabalhadores, especialmente porque o voto nos Estados Unidos não é obrigatório. A realização do pleito durante a semana é apontada como um possível obstáculo para eleitores que não conseguem se ausentar do trabalho.
Midterms definem o equilíbrio do Congresso
As eleições de meio de mandato ocorrem a cada dois anos, entre as eleições presidenciais. Embora o nome de Donald Trump não esteja nas cédulas, o resultado é considerado um indicador da avaliação dos eleitores sobre o governo. A votação também determinará as condições políticas que o presidente enfrentará nos dois últimos anos de seu mandato.
Neste ano, todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes estão em disputa. No Senado, serão renovadas 35 das 100 vagas. Também haverá eleições para governador em 36 estados. Os deputados da Câmara têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis anos. Por esse motivo, a Câmara é renovada integralmente a cada eleição legislativa, mas apenas cerca de um terço do Senado é submetido à votação.
O resultado poderá alterar o equilíbrio de forças no Congresso, atualmente controlado pelos republicanos. Se os democratas conquistarem a maioria em uma ou nas duas Casas, Trump poderá encontrar mais dificuldades para aprovar projetos e colocar sua agenda em prática.
A oposição também terá maior capacidade para convocar audiências, solicitar documentos e abrir investigações sobre ações do governo. No Senado, uma mudança na maioria poderá dificultar ainda a aprovação de indicações feitas pelo presidente para cargos importantes, incluindo juízes federais e integrantes da administração.
Trump continuará na Presidência independentemente do resultado, mas uma eventual perda da maioria republicana poderá reduzir sua margem de atuação política. Caso os republicanos mantenham o controle do Congresso, o presidente terá mais facilidade para avançar com propostas e aprovar nomeações.
As eleições para governador, por sua vez, poderão modificar o comando político dos estados e influenciar decisões locais em áreas como educação, saúde, segurança pública e administração eleitoral.







