O governo dos Estados Unidos aprovou a realização de uma execução por pelotão de fuzilamento, prática que não era utilizada desde a Segunda Guerra Mundial, marcando um momento histórico no sistema de pena de morte militar. A decisão foi tomada após o presidente Donald Trump dar aval ao procedimento, que será aplicado ao soldado Nidal Hasan, condenado pelo ataque de 2009 no quartel de Fort Hood, no Texas, que resultou na morte de 13 pessoas e ferimentos em dezenas de outras. Essa é a primeira vez em 65 anos que um membro das Forças Armadas dos EUA enfrenta uma pena de morte dessa forma.
Na noite de segunda-feira (5), o Pentágono anunciou que o secretário de Guerra, Pete Hegseth, recomendou a execução por pelotão de fuzilamento para Hasan, recomendação que foi posteriormente aprovada por Trump. A data da execução foi confirmada pelo secretário interino do Exército, Adam Telle, na manhã de terça-feira (6), e está agendada para 3 de dezembro, às 14h, no horário do leste, em Fort Hood. Segundo o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, Hasan matou 13 pessoas e feriu 32 enquanto gritava “Allahu Akbar” durante o ataque, marcando um dos episódios mais graves de violência dentro das forças militares americanas.
O secretário de Guerra interino afirmou que a decisão de executar Hasan por pelotão de fuzilamento representa a concretização de um processo que culmina com o julgamento do soldado, que foi condenado em julho de 2013 por um painel de 13 oficiais. O júri, de forma unânime, recomendou a pena de morte, após Hasan admitir ser o autor do tiroteio. Ele, um major e psiquiatra do Exército, justificou o ataque alegando que sua intenção era proteger o Talibã e seus líderes de soldados enviados ao Afeganistão, além de afirmar que buscava atacar soldados que seriam enviados para uma guerra considerada ilegal.
O episódio ocorreu na manhã de 5 de novembro de 2009, quando Hasan entrou em um centro de processamento em Fort Hood e abriu fogo contra as tropas presentes. Após a troca de tiros com policiais, Hasan foi atingido e preso. Durante a ação, foi encontrado com munição adicional, carregadores extras e um telefone celular, além de duas miras de armas — uma a laser vermelha para pouca luz e outra verde, mais eficaz sob luz solar. O soldado ficou paralisado da cintura para baixo devido ao ferimento, usando cadeira de rodas desde então.
Historicamente, a última execução por pelotão de fuzilamento de um soldado americano ocorreu em 31 de janeiro de 1945, com o soldado Eddie Slovik, condenado por deserção durante os meses finais da Segunda Guerra Mundial na Europa. Slovik foi considerado culpado por um tribunal militar e executado na França, sendo o único desertor a passar por esse método de pena capital na história dos EUA. Desde então, o Exército americano realizou outras execuções, sendo a última em 1961, quando o soldado John Bennett foi enforcado após condenação por estupro e tentativa de homicídio.
De acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte, desde 1916, os militares dos EUA executaram 135 membros das Forças Armadas, sendo que a pena de morte pode ser aplicada por 15 tipos de crimes diferentes. A decisão final de execução cabe ao presidente, que também possui o poder de comutar a sentença. Após a aprovação presidencial, o método e a data da execução são definidos pelo Secretário do Exército, com prazos que variam entre 60 e 150 dias.
Apenas alguns condenados permanecem no corredor da morte em unidades como Fort Leavenworth, no Kansas, a única instalação de segurança máxima do Departamento de Guerra. Além de Hasan, outros três soldados aguardam a execução, todos considerados culpados de assassinato e outros crimes graves. O caso de Slovik permanece como uma referência histórica, tendo recebido ampla atenção na época, inclusive sendo retratado em filme de 1974, “A Execução do Soldado Slovik”. Sua execução foi marcada por um procedimento sigiloso, com apenas 11 soldados presentes durante o fuzilamento, e sua história só veio a público décadas depois, graças a investigações jornalísticas e livros especializados.








