O governo federal mobilizou uma equipe de ministros e forças armadas para atuar no combate aos incêndios que vêm causando uma grave crise de fumaça na cidade de Manaus, capital do Amazonas. A ação ocorreu neste domingo (18), após um pedido formal feito pelo prefeito Renato Junior (Avante), que solicitou apoio do governo federal diante da crescente intensidade dos focos de incêndio na região.
A presença de representantes do Executivo federal inclui a instalação de um Estado-Maior das Forças Armadas e o emprego de 16 aeronaves destinadas às operações de combate às queimadas. A comitiva é composta pelos ministros da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; da Defesa, José Múcio; do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. Segundo Renato Junior, a iniciativa foi confirmada após contato telefônico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao prefeito, acompanhado do senador Eduardo Braga (MDB), para tratar da crise e da mobilização de recursos e pessoal.
De acordo com o ministro da Defesa, José Múcio, o Ministério da Defesa determinou a instalação do Estado-Maior para coordenar as ações de combate às queimadas na região. Além disso, já foram destinados R$ 11 milhões ao Estado do Amazonas para apoiar as operações de combate aos incêndios. Múcio destacou que as pastas envolvidas estão autorizadas a ampliar os recursos conforme a evolução da crise, além de monitorar possíveis práticas criminosas relacionadas às queimadas, que vêm contribuindo para a gravidade da situação.
A crise de incêndios se agravou nos últimos dias, com dados da Defesa Civil de Manaus, divulgados pela prefeitura, indicando um aumento expressivo no número de focos de calor. No sábado (17), o Amazonas registrou 705 focos de incêndio, um aumento considerável em relação aos 226 focos detectados na sexta-feira (16). Essa escalada na quantidade de focos tem causado uma elevação nos níveis de poluição atmosférica, com a concentração de partículas finas (PM2,5) na cidade atingindo 401,4 microgramas por metro cúbico na manhã de sábado — índice classificado como péssimo pelo órgão municipal de saúde.
Diante da gravidade da crise, a Prefeitura de Manaus anunciou que realizará uma reunião nesta segunda-feira (19), às 9h, com a equipe de meteorologia para avaliar a possibilidade de suspender as aulas na rede municipal por períodos de 24 a 72 horas. A medida visa proteger a saúde da população, já que as atividades escolares na rede municipal já haviam sido suspensas anteriormente devido aos riscos à saúde causados pela fumaça. A suspensão também pode incluir a rede particular de ensino, dependendo da avaliação dos especialistas.
Além disso, está prevista para terça-feira (20) a instalação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital amazonense, com o objetivo de reforçar o atendimento às vítimas da crise de fumaça e às populações mais vulneráveis afetadas pelos incêndios. A mobilização do governo federal e das forças de segurança demonstra a prioridade de ações coordenadas para conter a expansão dos focos de incêndio e minimizar os impactos na saúde pública e no meio ambiente na região amazônica.









