Um copiloto da companhia aérea flydubai, responsável por atacar o comandante de um voo com destino a Israel na última quarta-feira, 30 de outubro, teria planejado a ação antes mesmo de ser contratado pela empresa, de acordo com informações obtidas por dois funcionários israelenses envolvidos na investigação conduzida pelos Emirados Árabes Unidos. Essas fontes, que falaram sob condição de anonimato, relataram ao jornal Haaretz que o suspeito, de nacionalidade omanita, tinha intenções de lançar a aeronave contra o aeroporto Ben-Gurion, localizado próximo a Tel Aviv.
Segundo uma das fontes, o copiloto já havia tentado sequestrar uma aeronave em um voo anterior, ocorrido no início do ano, também com destino a Tel Aviv, mas abandonou o plano por motivos não esclarecidos. Ainda de acordo com os relatos, ele tinha conhecimento de alguém a bordo daquele voo, o que levanta suspeitas sobre possíveis ligações ou motivações específicas.
A identidade do suspeito foi parcialmente confirmada por duas fontes que o identificaram como Hamam al-Hammami. Autoridades israelenses confirmaram que ele é oriundo de Omã, mas optaram por não divulgar seu nome completo. Nem a flydubai nem os Emirados Árabes Unidos emitiram declarações oficiais a respeito da identidade do indivíduo.
O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos declarou que o copiloto atacou o comandante do voo com um machado de emergência, classificando o incidente como um ataque terrorista. Durante o interrogatório, o suspeito teria afirmado que sua intenção era desligar os motores da aeronave e lançá-la contra prédios em Tel Aviv, além de planejar matar o capitão sem alertar as autoridades.
Segundo informações de fontes próximas às investigações, o suspeito teria se candidatado à flydubai após pesquisar companhias aéreas que operam voos para Israel, o que reforça a hipótese de um planejamento prévio. Uma reportagem do jornal italiano Corriere della Sera revelou que o copiloto pretendia também chegar a Tel Aviv antes de ser interceptado por caças israelenses, com o objetivo de realizar o ataque. Ainda de acordo com a publicação, ele planejava desligar os motores do avião e lançar a aeronave contra prédios na cidade, sem aviso prévio aos controladores, e sem alertar as autoridades.
No domingo, 4 de novembro, a CBS News informou que uma investigação preliminar realizada por Israel concluiu que o suspeito agiu sozinho no episódio. Durante o incidente, passageiros e tripulantes conseguiram dominar o copiloto, enquanto o capitão Smit Machchhar, de origem indiana, conseguiu sobreviver ao abrir a porta da cabine. Um piloto reserva da flydubai, que viajava na mesma aeronave, assumiu os comandos após o ataque e realizou o pouso na região noroeste da Arábia Saudita, onde o suspeito foi detido.
Na quinta-feira, 1º de novembro, o suspeito foi transferido para os Emirados Árabes Unidos. A bordo do voo, havia mais de 170 pessoas, a maioria israelenses. Até o momento, não há informações sobre a formalização de acusações contra ele ou sobre a existência de um advogado de defesa. Omã também não se manifestou oficialmente sobre o caso.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que pilotos de países sem relações diplomáticas com Israel, como Omã, não podem operar voos para o país, o que levanta questões sobre como o copiloto foi escalado para essa rota. O governo israelense anunciou que irá revisar as operações de companhias estrangeiras que realizam voos para o país.
Além disso, uma unidade antiterrorista da Austrália também está investigando possíveis vínculos do copiloto com o país, especialmente após uma quarta fonte indicar que ele estudou na Universidade RMIT, em Melbourne, há cerca de dez anos.
Este incidente reforça a preocupação com a segurança nas operações aéreas internacionais, especialmente em voos que conectam regiões de alta tensão política e diplomática. As investigações continuam em andamento para esclarecer todas as motivações e possíveis conexões do suspeito, bem como para determinar se há outras pessoas envolvidas.









