Nathalia Gadelha, de 20 anos, foi identificada como a copiloto do jato Learjet 60 que caiu no domingo (1º), na Flórida, nos Estados Unidos. A jovem, filha de brasileiros e nascida no estado norte-americano, estava trabalhando no momento do acidente, segundo a família. Apesar de ocupar a função de copiloto, Nathalia não era a responsável pelo voo. As nove pessoas que estavam na aeronave morreram.
O avião havia decolado de Austin, capital do Texas, com destino às Bahamas. A queda ocorreu na região de Palm Beach, próxima a uma rodovia movimentada e a uma área residencial. Vídeos feitos por pessoas que passavam pelo local mostram o jato mergulhando em direção ao solo antes de atingir o chão. Após o impacto, a aeronave explodiu e provocou um incêndio de grandes proporções.
Identificação das vítimas
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, entre elas os sites New York Post e TMZ, o capitão do voo era Jeff Gregory, de 55 anos. Nathalia Gadelha ocupava o assento de copiloto.
Também estavam a bordo Adam Robinson, empresário do setor de tecnologia, de 44 anos; a esposa dele, Helen; os dois filhos do casal; a babá responsável pelas crianças; e dois amigos da família. Até a última atualização sobre o caso, os nomes e as idades dos filhos, da babá e dos dois amigos ainda não haviam sido confirmados.
A mãe de Nathalia, Camila Gadelha Corteleti, afirmou à CNN Brasil que a filha estava trabalhando quando o acidente aconteceu. Segundo ela, a jovem era responsável e dedicada, mas não tinha autoridade para tomar decisões como comandante da aeronave.
“Ela era uma menina muito boa, responsável, esforçada, estava trabalhando. Ela era copiloto, não podia tomar nenhuma decisão”, disse Camila.
O padrasto da jovem, Thiago Corteleti, relatou que Nathalia obteve a licença para pilotar aos 17 anos, antes mesmo de tirar a carteira de motorista. Ainda de acordo com ele, ela se formou na American Flyers, descrita como uma das escolas de aviação mais prestigiadas dos Estados Unidos, e acumulava mais de 1.300 horas de voo.
Comunicação registrou pedido de socorro
Uma gravação das comunicações entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo registrou os momentos que antecederam a queda. O áudio, divulgado pelo site LiveATC.net, indica que a copiloto relatou dificuldades durante o voo e pediu socorro antes de o avião atingir o solo.
Inicialmente, a tripulação informou que enfrentava turbulência moderada e buscava condições mais estáveis. Em seguida, foi utilizado o código internacional de emergência “Mayday”. Durante a comunicação, foi relatado que a aeronave descia a uma velocidade de 10 mil pés por minuto. A taxa de descida posteriormente teria chegado a 22 mil pés por minuto.
Trechos do áudio registram frases de desespero, como “Vamos nos chocar contra o chão!” e “Estamos sem tempo!”. Os controladores tentaram restabelecer o contato com a aeronave, mas não receberam novas respostas após as últimas transmissões.
Nathalia também teria enviado mensagens ao namorado, que igualmente é piloto, antes da queda. Conforme informações publicadas pelo New York Post e um relato de Thiago Corteleti, a comunicação ocorreu por volta das 12h40 no horário de Miami, o equivalente a 14h40 no horário de Brasília. O avião caiu cerca de dez minutos depois.
“Ela apenas disse: ‘Estou enfrentando turbulência, há formação de gelo’”, relatou o padrasto.
Investigação avalia condições meteorológicas
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, conhecido pela sigla NTSB, realizou uma coletiva de imprensa na segunda-feira (2) para apresentar as primeiras informações sobre a investigação. O investigador sênior Timothy Monville afirmou que o órgão trabalha com um plano para documentar partes conhecidas da aeronave que possam estar fora do local principal do impacto.
As informações preliminares indicam que o avião pode ter se desintegrado ainda no ar. Uma das hipóteses analisadas envolve as condições meteorológicas em altitude. Por volta das 12h47 de domingo (1º), quando voava a 35 mil pés, a tripulação relatou a presença de gelo leve e transparente, além de turbulência moderada. A temperatura externa informada era de -47°C.
Depois de detectar precipitação, os pilotos solicitaram autorização ao controle de tráfego aéreo para subir a 37 mil pés. A permissão foi concedida. Segundo Thomas Chapman, membro do NTSB, menos de 30 segundos depois uma transmissão indicou que a aeronave havia iniciado uma descida, seguida por um pedido de socorro.
Por volta das 12h48, no horário do leste dos Estados Unidos, o avião transmitiu a mensagem: “Estamos em condição de excesso de velocidade em descida”. O NTSB ressaltou, no entanto, que a apuração ainda está em fase inicial. O órgão afirmou ser prematuro determinar as causas exatas do acidente ou apontar responsabilidades. Uma equipe multidisciplinar foi mobilizada para conduzir os trabalhos.






