Um homem nos Estados Unidos tornou-se o primeiro paciente a receber um braço biônico conectado diretamente aos nervos, ossos e músculos, marcando um avanço significativo na tecnologia de próteses controladas pelo corpo. Participante de um estudo clínico envolvendo a tecnologia e-OPRA, ele passou por uma cirurgia realizada em julho, que integrou a prótese ao seu sistema esquelético e nervoso, permitindo controle mais natural e sensações em tempo real.
O paciente, cuja identidade não foi divulgada, perdeu o braço esquerdo acima do cotovelo em um acidente ocorrido em 2016. Dez anos após o incidente, ele foi selecionado para participar do estudo de implante por osseointegração, uma técnica que promove a união direta entre o osso remanescente e um implante de titânio. Além dele, outros sete indivíduos também integram a pesquisa, que visa aprimorar a integração entre próteses e o sistema nervoso do usuário.
A cirurgia consistiu na fixação de uma estrutura de titânio no osso remanescente do membro, além da colocação de eletrodos nos músculos e ao redor dos nervos periféricos. Essa abordagem visa criar uma interface bidirecional, permitindo que sinais elétricos dos músculos sejam utilizados para controlar a prótese, enquanto estímulos nos nervos proporcionam sensações táteis ao usuário. Após a implantação, o osso cresce na superfície do implante, consolidando a estrutura como uma extensão do esqueleto, e um segundo componente é inserido através da pele para conectar a prótese ao implante ósseo.
Diferentemente das próteses convencionais, que muitas vezes causam desconforto, problemas de ajuste ou limitações de movimento, a tecnologia e-OPRA elimina a necessidade do encaixe tradicional, oferecendo maior liberdade de movimento e sensação ao usuário. Segundo Levi Hargrove, líder do estudo, a inovação não é apenas uma prótese, mas uma interface que conecta o sistema nervoso ao dispositivo, resolvendo duas das maiores dificuldades na área: a fixação direta ao esqueleto e a obtenção de sinais claros e estáveis para controle.
Após a cirurgia, o paciente continuará sob acompanhamento da equipe médica, que monitora os sinais musculares captados pelos eletrodos implantados. Nos próximos meses, ele iniciará um programa de reabilitação e treinamento específico para a adaptação à prótese. Os pesquisadores informaram que o estudo tem previsão de duração até 2030, período durante o qual os resultados obtidos com os oito participantes serão avaliados, consolidando avanços na tecnologia de próteses controladas pelo sistema nervoso e sua potencial aplicação futura em tratamentos de amputações.








