O governo do Irã, por meio da Guarda Revolucionária, declarou nesta quinta-feira (20) que está preparado para utilizar “armas com maior precisão, poder destrutivo e sofisticação tecnológica” caso o conflito no país seja retomado. A agência de notícias estatal Tasnim informou que o porta-voz da Guarda, brigadeiro-general Hossein Mohebbi, afirmou que o Irã tem avançado continuamente suas capacidades militares e que, se houver uma retomada das hostilidades, o armamento de Teerã “certamente será diferente do passado”.
De acordo com Mohebbi, essas melhorias podem envolver novas gerações de ogivas, maior precisão nos ataques, maior alcance dos mísseis ou outras capacidades tecnológicas. Ele ressaltou que o desenvolvimento de armas no Irã nunca foi interrompido, e que “qualquer possibilidade pode ser imaginada” em relação a futuros avanços militares. A declaração foi feita horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o que classificou como a “operação econômica mais devastadora já realizada contra qualquer país”.
Trump afirmou que, durante seu mandato, ofereceu uma oportunidade para o Irã fazer um acordo, mas que Teerã “falhou em aproveitá-la”. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente americano afirmou que a resposta dos iranianos foi trágica e que a ação dos EUA resultará em uma “guerra econômica e um isolamento em uma escala sem precedentes”. Ele também ameaçou países que permitam suporte financeiro ou logístico ao Irã, dizendo que enfrentariam “enormes consequências econômicas”. Segundo Trump, ações como contrabando de petróleo, linhas de troca de dinheiro, transferências financeiras, operações de casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada precisam ser interrompidas imediatamente, sob pena de sofrerem sanções severas.
O ex-presidente dos EUA afirmou ainda que o Irã “jamais terá uma arma nuclear” e que as medidas adotadas pelos Estados Unidos visam debilitá-lo e impedir sua capacidade de projetar terror globalmente. Além das questões militares, Mohebbi também comentou sobre o conflito entre os houthis no Iêmen e a Arábia Saudita. Segundo ele, Riad é incapaz de conter o grupo insurgente, e, apesar de mais de dois anos de conflito em Gaza, Israel não conseguiu causar danos significativos ao Hamas. Assim, o porta-voz iraniano acredita que a Arábia Saudita, cujas capacidades militares considera inferiores às de Israel, também não conseguiria derrotar os houthis.
Mohebbi afirmou que “as nações naturalmente buscam defender sua existência e suas capacidades” e advertiu que, quanto mais a Arábia Saudita atacar, mais será atingida em resposta. A declaração revela a postura do Irã em relação à escalada de tensões na região, reforçando a mensagem de que o país está preparado para responder a qualquer agressão com avanços militares significativos.
A situação geopolítica na região permanece tensa, com os Estados Unidos reforçando suas sanções e o Irã indicando avanços tecnológicos militares que podem alterar o equilíbrio de poder. A comunidade internacional acompanha com atenção as movimentações de Teerã, especialmente no contexto de possíveis retomadas de conflitos ou de ações de dissuasão.









