O número de mortos decorrentes dos desastres naturais ocorridos no Nepal e na região autônoma chinesa do Tibete aumentou para 682, conforme informações divulgadas neste sábado (29) pelas autoridades de gestão de desastres. Desses, 675 corpos foram oficialmente resgatados no lado nepalês, enquanto as equipes de resgate continuam os esforços para localizar milhares de desaparecidos nos dois países. Aproximadamente 2.426 pessoas continuam desaparecidas no Nepal, totalizando quase 3 mil desaparecidos na região fronteiriça do Himalaia.
As operações de resgate permanecem intensas neste sábado, com esforços concentrados na busca por sobreviventes e na recuperação de corpos, após um deslizamento de terra que atingiu uma área de difícil acesso na fronteira entre Nepal e Tibete. Segundo relatos, alguns dos desaparecidos podem ter sido levados pelas correntes de lama para regiões distantes, incluindo a Índia, dificultando ainda mais as operações de busca. As equipes de resgate enfrentam condições extremamente adversas, devido à espessa camada de lama que cobre as áreas afetadas, dificultando o acesso e o trabalho de localização.
Kawan Koirala, membro da Equipe de Resposta a Desastres do Nepal, descreveu a situação à agência de notícias AFP, afirmando que as pessoas afetadas estão desesperadas para recuperar os corpos de seus parentes, sejam eles vivos ou mortos. Ele relatou ainda a dificuldade de encontrar as vítimas, ressaltando que a lama cobre toda a região, dificultando o trabalho das equipes de resgate. Koirala destacou que, embora o Nepal já tenha enfrentado enchentes anteriormente, a magnitude do desastre atual é sem precedentes na região.
O desastre ocorreu na quarta-feira, quando uma avalanche de lama, atribuída ao colapso de uma geleira, soterrando casas, destruindo pontes e arrastando veículos tanto no Nepal quanto no Tibete. A avalanche atingiu uma região marcada por grandes projetos de infraestrutura energética, incluindo uma usina hidrelétrica, onde 933 trabalhadores estão atualmente na lista de desaparecidos. Essa lista inclui também excursionistas e peregrinos que se dirigiam ao monte Kailash, considerado sagrado no Tibete.
Em Bidur, uma base militar que funciona como centro de operações de resgate, familiares se reuniram em torno de listas de sobreviventes afixadas na parede, na tentativa de localizar seus entes queridos. Kalka Sharda, uma das pessoas presentes, afirmou que procurava seu filho, que trabalhava na usina hidrelétrica, mas até o momento não obteve sucesso na localização dele, e as autoridades permanecem sem informações precisas.
Uma das operações mais críticas concentra-se em uma usina hidrelétrica, onde aproximadamente 100 trabalhadores permanecem presos em um túnel desde o momento do desastre. O governo do Nepal informou que as equipes de emergência iniciaram esforços para remover lama e escombros na tentativa de abrir a entrada do túnel e possibilitar o resgate de possíveis sobreviventes. Além disso, uma equipe especializada em resgates em túneis, proveniente da Índia, foi acionada para auxiliar nas operações de busca, diante da complexidade do cenário.








