O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagyoko, uma das cidades próximas a Paris, foi atingido por gás de pimenta ao tentar proteger estudantes durante os protestos estudantis que têm ocorrido na França desde setembro. O incidente ocorreu na terça-feira, dia 6 de outubro, em meio a uma das maiores mobilizações do movimento, que contou com a participação de aproximadamente 450 mil manifestantes, segundo os organizadores, enquanto o Ministério do Interior estimou cerca de 250 mil pessoas nas ruas. Bagyoko precisou ser carregado após ser atingido por gás lacrimogêneo e recebeu atendimento com colírio nos olhos.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o prefeito posicionando-se na linha de frente de um grupo de estudantes, gritando para os policiais “parados”, em um momento de crescente tensão. Em um dos registros, Bally Bagyoko aparece sendo abraçado por populares após o incidente, demonstrando o apoio recebido durante a ação. Sua postura de proteção ao grupo de jovens foi uma tentativa de evitar confrontos mais severos com as forças de segurança, que têm utilizado gás lacrimogêneo, cassetetes e outros meios para dispersar os manifestantes.
Os protestos na França tiveram início em setembro na região de Paris e rapidamente se espalharam por todo o território nacional. O movimento, inicialmente focado contra cortes no orçamento da educação e condições precárias nas escolas públicas, ganhou força na última semana, transformando-se em uma mobilização de proporções expressivas. Desde então, confrontos entre estudantes, adolescentes e policiais se tornaram frequentes, com episódios de violência que incluem o uso de gás lacrimogêneo e detenções. Desde o início dos protestos, cerca de 6.100 pessoas foram presas, a maioria menores de idade, e mais de 1.800 estão sendo processadas, incluindo 1.483 menores, conforme informações divulgadas pelos ministérios do Interior e da Justiça.
Um dos casos mais graves ocorreu na segunda-feira, dia 5, em Lens, no norte da França, onde um estudante de 15 anos teve a mão arrancada após uma granada de efeito moral da polícia explodir durante uma manifestação. Após a confirmação do incidente, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a suspensão do uso de bombas de efeito moral em manifestações estudantis, uma medida temporária que visa investigar os episódios de violência envolvendo menores. Além disso, outros casos estão sendo analisados, como o de um estudante de 14 anos que perdeu vários dentes após a explosão de uma bomba de gás lacrimogêneo em Paris.
Em entrevista à rádio RTL, Nuñez afirmou que a suspensão se aplica exclusivamente aos protestos de estudantes do ensino médio e somente pelo tempo necessário para apurar as circunstâncias. O ministro também revelou que a polícia abriu 18 investigações relacionadas a denúncias de má conduta desde o início do movimento. Os protestos, que acontecem desde 17 de setembro, têm como principais reivindicações melhorias nas condições de ensino e o aumento de recursos para o setor público de educação.
A mobilização ganhou destaque na última semana, culminando na terça-feira, dia 6, com o maior número de participantes até então. Além da quantidade expressiva de manifestantes, o movimento atraiu atenção pela violência registrada em alguns episódios, levando a uma crise política para o governo de Emmanuel Macron. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, condenou atos de vandalismo, afirmando que eles prejudicam a causa e dificultam o diálogo com os estudantes. Em discurso no Parlamento, Lecornu afirmou que ações como incendiar escolas ou agredir professores não contribuem para a resolução dos problemas e reforçou que o governo está atento às reivindicações, prometendo encaminhar propostas de melhorias até o final de outubro.
Apesar de reconhecer a legitimidade das reivindicações, o presidente Macron enfrenta dificuldades diante do aumento da violência e da insatisfação geral, o que tem provocado uma crise política e uma crescente pressão por soluções efetivas para o setor de educação na França.









