O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus assessores estão considerando a possibilidade de cancelar os planos de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Hasan, condenado pelo ataque de Fort Hood, após Trump tomar conhecimento de que o condenado é paraplégico. A decisão ocorre em meio a discussões internas que envolvem o impacto da exibição pública do procedimento, especialmente após o presidente ter sido informado de que Hasan ficou paralisado da cintura para baixo após ser baleado pelas forças de segurança durante o ataque ocorrido em 2009.
Segundo fontes próximas às negociações ouvidas pela CNN, Trump inicialmente não tinha conhecimento de que o condenado utilizava cadeira de rodas. Ainda assim, ele apoiava a execução de Hasan por fuzilamento, método que já havia defendido publicamente em diversas ocasiões. Na semana passada, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou que o governo planejava permitir que o público assistisse à execução, uma decisão que inicialmente não gerou resistência por parte do presidente.
No entanto, após Hegseth confirmar, por meio de uma publicação na rede social X (antigo Twitter), que o Pentágono pretendia transmitir a execução ao vivo, Trump passou a consultar seus assessores e aliados para avaliar a viabilidade da transmissão. Foi durante essas conversas que o presidente tomou conhecimento de que Hasan, que matou 13 pessoas e feriu dezenas em 2009, ficou paraplégico após ser baleado nas costas pelas forças de segurança durante o ataque. Essa informação alterou a percepção de Trump sobre a exibição do evento, levando-o a reconsiderar a possibilidade de uma transmissão pública.
De acordo com uma das fontes, o entendimento de Trump acerca do impacto das imagens é um fator determinante para a possível mudança de planos. Além disso, o presidente teria considerado que a exibição ao vivo poderia servir de propaganda para grupos terroristas e adversários estrangeiros, que poderiam tentar transformar Hasan em um mártir. Essa preocupação reforça o receio de que a transmissão possa gerar efeitos contrários ao objetivo de dissuadir ações similares.
Na última terça-feira, a Casa Branca enviou à CNN uma declaração na qual Trump afirmou que há “duas formas de pensar” sobre o assunto e que a decisão final será tomada por ele. Durante o fim de semana, Trump comentou com jornalistas que a execução de Hasan foi “cruel” e “violenta”, e que a decisão de exibir ou não o procedimento dependerá de uma análise do que é melhor para a segurança e a imagem do país. Ele também destacou que, embora saiba o que os militares gostariam de fazer, a decisão caberá a ele.
Ainda de acordo com fontes próximas às discussões, o Pentágono também está reavaliando seus planos de transmitir integralmente a execução, com a tendência de que a transmissão seja interrompida antes dos disparos finais, para evitar que o evento seja explorado por grupos terroristas como uma ferramenta de propaganda. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, não respondeu aos pedidos de comentário sobre possíveis mudanças na estratégia de transmissão.
A proposta de exibir ao vivo a execução de Hasan enfrentou críticas tanto de democratas quanto de republicanos, além de ter surpreendido integrantes do próprio Pentágono e do Exército, que não esperavam a iniciativa. Na sexta-feira, Trump declarou que não participou diretamente da decisão, mas afirmou entender a posição de quem defende a transmissão, ressaltando que alguns querem “dar um exemplo” ao exibir o procedimento.
Hegseth havia recomendado inicialmente a pena de morte por fuzilamento para Hasan, condenado por assassinato em massa, e a administração Trump aprovou a recomendação. A execução está marcada para 3 de dezembro em Fort Hood, sendo a primeira de um soldado pelo Exército dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial e a primeira aplicação de pena de morte a um membro das Forças Armadas em 65 anos. Hasan, nascido nos Estados Unidos e filho de palestinos, declarou que escolheu como alvo soldados que seriam enviados ao Afeganistão, com o objetivo de proteger o Talibã e seus líderes das ações militares americanas.









