O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “vergonhoso” o fato de o senador Flávio Bolsonaro (PL) ter deixado o Brasil após a derrota na disputa presidencial e depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse o passaporte. A declaração foi feita durante uma reunião com militantes petistas no Palácio da Alvorada, em evento que marcou os 81 anos do presidente.
Segundo Lula, a Polícia Federal tinha suspeitas de que Flávio Bolsonaro pretendia sair do país. O presidente comparou a situação à decisão judicial que, em 2018, determinou que ele entregasse o próprio passaporte. Na ocasião, Lula se preparava para viajar à Etiópia, onde participaria de um evento da Organização das Nações Unidas (ONU).
O presidente afirmou que cumpriu a ordem judicial e permaneceu no Brasil. A entrega do documento foi feita em conjunto com seu então advogado, Cristiano Zanin, que atualmente é ministro do STF. Pouco depois, Lula foi preso no âmbito da operação Lava Jato.
Durante o discurso, Lula disse que recebeu convites para deixar o país e buscar abrigo em embaixadas, mas decidiu se apresentar à Polícia Federal. De acordo com o presidente, a intenção era contestar as acusações que enfrentava e demonstrar sua inocência. Ele também atribuiu sua permanência no Brasil ao fato de ter sido reeleito para um novo mandato, segundo sua própria declaração, com o apoio dos militantes presentes.
Lula também afirmou que o resultado das eleições deve ser respeitado pelos participantes do processo democrático. Ele declarou que já disputou várias eleições e que, mesmo depois de derrotas, permaneceu no país. Como exemplos, citou as derrotas para Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, em duas ocasiões, além de mencionar que Geraldo Alckmin e José Serra também permaneceram no Brasil após perderem eleições.
Ao comentar a saída de seu adversário, Lula disse não ter informações detalhadas sobre o caso, mas questionou os motivos que teriam levado Flávio Bolsonaro a deixar o país. O presidente afirmou que “quem não deve não teme” e avaliou que um cidadão que sai escondido do próprio país pode estar tentando evitar algum tipo de responsabilização.
Em outro trecho do discurso, Lula criticou o fato de Flávio Bolsonaro não ter apresentado à Justiça Eleitoral seus dados fiscais, bancários e telefônicos, além das informações correspondentes aos integrantes de sua família. O presidente afirmou que entregou ao órgão eleitoral documentos e dados próprios, da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e de seus filhos.
Lula disse que Flávio poderia ter permanecido no Brasil para contestar as acusações divulgadas pela imprensa e comprovar que eram falsas. Ao abordar o episódio, o presidente fez críticas severas ao senador, a quem acusou de não demonstrar compromisso com a verdade.
Por fim, Lula rejeitou a possibilidade de que Flávio Bolsonaro alegue, no exterior, que o Brasil não é uma democracia. Para o presidente, o fato de um político identificado por ele como “miliciano” ter podido disputar uma eleição seria uma demonstração de que o sistema democrático brasileiro está em funcionamento.








