O ex-presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, apresentaram nesta quinta-feira (15) suas declarações de inocência em relação às acusações feitas pelos Estados Unidos de envolvimento em atividades de tortura contra opositores políticos. As acusações adicionais, divulgadas na mesma data, ampliaram significativamente o escopo do processo criminal contra Maduro, de 63 anos, e Flores, de 70. Anteriormente, ambos já haviam se declarado inocentes das acusações de abuso de poder com o objetivo de facilitar o passagem de drogas ilícitas, especificamente cocaína, por parte de traficantes ligados ao regime venezuelano.
A captura de Maduro e Flores ocorreu em janeiro deste ano, quando as Forças Armadas dos EUA realizaram uma operação em Caracas, sob ordens do então presidente Donald Trump. Ambos foram transportados por avião para Nova York, onde permanecem detidos no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn. Durante a audiência de acusação, realizada perante o juiz federal Alvin Hellerstein, no tribunal de Manhattan, Maduro e Flores compareceram vestidos com uniformes prisionais bege e com as mãos algemadas pelos tornozelos.
Na ocasião, ao ser questionado pelo magistrado sobre sua declaração, Maduro afirmou que as acusações apresentadas anteriormente já eram falsas e que não reconhecia sua validade. Ele declarou: “Eu vi tudo, juiz Hellerstein. Rejeito este documento na íntegra.” O juiz, por sua vez, interrompeu Maduro, registrando oficialmente sua declaração de inocência. Cilia Flores, por sua vez, afirmou categoricamente: “Sou totalmente inocente. Não sou culpada.”
Importante destacar que Maduro e Flores não são acusados de terem cometido pessoalmente atos de tortura. No entanto, caso sejam condenados por todas as acusações, cada um enfrentaria uma pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão. A juíza responsável pela causa, ao adiar o início do julgamento para o dia 14 de junho de 2027, justificou a decisão pelo aumento do número de acusações contra o ex-presidente e sua esposa.
Segundo promotores do Ministério Público Federal de Manhattan, Maduro teria ordenado que autoridades venezuelanas torturassem políticos da oposição e militares suspeitos de conspirar contra seu governo. A acusação detalha um suposto episódio ocorrido em 2014, no qual Maduro ordenou o sequestro de militares com o objetivo de extrair informações sobre dissidentes, instruindo as autoridades a “apertá-los com mais força” quando estes resistissem. Cilia Flores teria concordado com o plano durante uma reunião, rejeitando alternativas de infiltração nas fileiras opositoras.
A relação entre Maduro, um líder socialista, e os Estados Unidos foi marcada por tensões ao longo de seus 13 anos no poder. Os governos norte-americanos impuseram sanções econômicas e políticas a autoridades venezuelanas e empresas estatais, alegando violações de direitos humanos, corrupção e fraudes eleitorais. Maduro, por sua vez, acusou os EUA de tentarem destituí-lo para controlar os recursos naturais do país, que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
A operação de captura, realizada em 3 de janeiro, representou um marco na crise venezuelana, com as Forças Armadas americanas invadindo a residência de Maduro em Caracas e levando-o para os Estados Unidos, onde responde às acusações de tráfico de drogas. Desde então, Maduro e Flores permanecem sob custódia no Brooklyn. Com a captura, o governo de Maduro perdeu sua vice-presidente, Delcy Rodríguez, que assumiu o comando do país e intensificou a cooperação com os Estados Unidos, enquanto o ex-presidente Donald Trump destacou a operação como um sucesso na política externa norte-americana, especialmente em meio às eleições de meio de mandato previstas para novembro de 2024.








