Na esteira da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), uma outra frente de investigação ganha destaque no cenário político e financeiro do país. Está na mesa do ministro André Mendonça, do Supremo, um acordo de delação premiada que tem potencial para revelar informações inéditas sobre um esquema financeiro que movimentou cerca de R$ 300 bilhões, envolvendo a gestão de fundos e operações de ocultação de recursos. O acordo, firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), já avançou todas as etapas preliminares necessárias antes da homologação pelo relator do Caso Master, sinalizando uma possível revelação de detalhes que podem impactar significativamente o setor financeiro e órgãos de controle.
No início de setembro, o fundador da gestora de investimentos Reag, João Carlos Mansur, foi ouvido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça em uma audiência de voluntariedade. Essa fase é considerada crucial, pois tem como objetivo verificar se o colaborador está participando do processo de forma espontânea, sem coação ou influência externa. Após esse procedimento, o próximo passo é a decisão do ministro sobre a homologação do acordo de delação, que poderá abrir uma janela para investigações mais aprofundadas.
Segundo informações obtidas, Mansur apresentou até o momento 17 frentes de colaboração e concordou em pagar aproximadamente 40 milhões de reais em multas ou ressarcimentos. O núcleo principal de sua colaboração envolve a atuação da Reag na possível ocultação de valores ligados ao Banco Master, uma instituição financeira que, antes de ser liquidada pelo Banco Central (BC), era considerada a maior gestora independente do Brasil, com mais de R$ 300 bilhões sob gestão. A Reag conquistou destaque na Faria Lima, região financeira de São Paulo, por sua rápida expansão e por operar um complexo sistema de fundos que permitia esconder a origem e o destino final de recursos financeiros, dificultando o trabalho de órgãos de fiscalização e controle.
A atuação da Reag não se limitava a clientes tradicionais; ela também tinha na sua lista de contratantes grandes empresas e investidores de peso. Além disso, a Polícia Federal (PF) revelou que até organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizavam os serviços da gestora. A operação Carbono Oculto identificou que a estrutura da Reag era empregada na lavagem de dinheiro proveniente de refinarias controladas pelo crime organizado, evidenciando o grau de complexidade e alcance das operações fraudulentas.
Recentemente, o ministro André Mendonça homologou o acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Freixo é proprietário da empresa “Entre Investimentos”, que foi utilizada por Daniel Vorcaro para repassar recursos financeiros destinados à produção do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A homologação de Freixo reforça o cenário de investigações em andamento, que podem ter ramificações ainda mais abrangentes, envolvendo figuras de diferentes setores econômicos e políticos.
Este conjunto de ações e acordos de delação premiada evidencia uma tentativa de desvelar um vasto esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos financeiros, cujo impacto potencialmente pode chegar a cerca de R$ 300 bilhões. A expectativa é que, com a homologação do acordo de Mansur, novas informações possam vir à tona, aprofundando o entendimento sobre as operações financeiras ilegais e fortalecendo o combate à lavagem de dinheiro no país.







