Cinco homens foram condenados pelo homicídio de Fernanda Gonçalves do Vale, uma catadora de materiais recicláveis que foi brutalmente assassinada em setembro de 2024 no Morro das Pedras, na Região Oeste de Belo Horizonte. A vítima foi vítima de espancamento, arrastada pelas ruas do bairro e, posteriormente, arremessada de uma ribanceira, em um crime que chocou a comunidade local e mobilizou as autoridades de segurança pública.
O julgamento do Tribunal do Júri ocorreu na última quinta-feira, dia 20 de novembro, e resultou na condenação dos acusados por homicídio qualificado. Os condenados são Eder Rayllander de Jesus da Conceição, Edinelson Francisco da Silva, Maicon Breno Fernandes dos Santos Reis, Richellmen Hayllander Fonseca da Silva e Yuri Thiago da Silva Maia. Segundo informações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), eles foram considerados responsáveis pelo assassinato de Fernanda em decorrência de motivos considerados fúteis, além de terem utilizado meios cruéis e recursos que dificultaram a defesa da vítima durante o crime.
Conforme a denúncia apresentada pelo MPMG, Fernanda foi agredida com socos, chutes, pauladas e pedradas dentro de um lote vago localizado no Beco Santana, no bairro São Jorge III, no Morro das Pedras. Os agressores também tentaram cortar a língua da vítima, um ato de extrema violência que evidencia a brutalidade do ataque. Após as agressões iniciais, eles a arrastaram pelos becos e ruas do bairro até chegar ao local onde ela foi executada.
Segundo apuração da reportagem da Itatiaia na época, os acusados também utilizaram instrumentos contundentes e cortantes durante o ataque, o que agravou ainda mais a violência do crime. Após a agressão, o corpo de Fernanda foi jogado de uma ribanceira, um ato que demonstra a intenção de ocultar o crime ou dificultar sua investigação.
A denúncia aponta que Edinelson Francisco da Silva, conhecido como Baré, foi o mentor e mandante do homicídio. Ele teria planejado o crime e incentivado os demais a participarem da execução. A motivação do homicídio estaria relacionada a um suposto furto de um carregador de pistola, objeto que, segundo os acusados, teria sido subtraído por Fernanda. A vítima, por sua vez, teria vendido o carregador junto com latinhas de alumínio, sem saber que o item era roubado ou que estaria ligado ao conflito.
De acordo com os autos do processo, os condenados acreditavam que Fernanda havia roubado o carregador de pistola deles, o que teria motivado o homicídio. A investigação revelou que a motivação foi considerada fútil, pois o crime foi cometido de forma cruel e com recursos que dificultaram a defesa da vítima, caracterizando homicídio qualificado.
A condenação dos cinco homens reforça a gravidade do crime e a resposta do sistema judicial às ações violentas que envolvem vulneráveis, como as catadoras de materiais recicláveis, frequentemente alvo de violência e discriminação. O caso evidencia ainda a complexidade das investigações e o empenho das autoridades em responsabilizar os envolvidos por um crime que chocou a comunidade de Belo Horizonte.







