Uma situação de tumulto marcou o dia da condenação de um pastor acusado de abusar sexualmente de pelo menos sete mulheres ao longo de mais de duas décadas, em uma igreja localizada no bairro Jardim Vitória, na região Nordeste de Belo Horizonte. Na noite desta quarta-feira (19/8), duas mulheres chegaram ao local de moto e aceleraram o veículo em direção à porta da igreja, interrompendo um culto e gerando uma confusão que resultou em registro policial por agressão.
Segundo informações do boletim de ocorrência, uma fiel que participava do culto acionou a Polícia Militar após ouvir o barulho causado pelas motos. Ela relatou que, ao sair do templo, foi agredida com socos por uma das mulheres que estavam no veículo, além de ter sido ameaçada e ter suas vestes rasgadas. Após o incidente, as suspeitas fugiram de moto, e a polícia conseguiu localizar uma das casas delas, embora nenhuma das suspeitas estivesse no local. Um telefone quebrado, supostamente de uma das mulheres, foi apreendido na residência.
O pastor, que responde a processos criminais por crimes sexuais, foi condenado em primeiro grau por importunação sexual em um dos casos, ocorrido dentro da própria igreja onde ministrava. A sentença, proferida pela 8ª Vara Criminal de Belo Horizonte, determinou uma pena de dois anos de prisão em regime aberto, além de uma indenização por danos morais à vítima, que também foi alvo de uma campanha difamatória por parte do réu. Além dessa condenação, o pastor enfrenta outras acusações de violência sexual contra diferentes mulheres, com audiências agendadas para dezembro.
A vítima que teve sua condenação confirmada relatou, em entrevista ao jornal O TEMPO, que, aos 15 anos, buscou refúgio na igreja após sofrer assédio sexual na infância. Ela explicou que, ao tentar se recuperar, acabou sendo vítima de abuso por parte do pastor, que a teria atingido com dois tapas nas nádegas. A testemunha destacou que, ao longo do processo, o réu foi considerado uma pessoa manipuladora, que utilizava a palavra sagrada para persuadir as fiéis e atender seus desejos sexuais, conforme decisão judicial.
Na sentença, o juiz afirmou que elementos apresentados durante o processo indicam que o réu se aproveitava de sua posição de liderança para manipular suas vítimas. O magistrado também criticou a defesa do pastor, que tentou usar um laudo psiquiátrico para alegar que ele não teria perfil de predador sexual, argumento rejeitado pela Justiça. A análise concluiu que a ausência de traços de personalidade antissocial ou frieza afetiva não exclui a possibilidade de prática de crimes sexuais, e as provas existentes eram suficientes para confirmar sua autoria.
Desde julho, o pastor responde a novos processos envolvendo abusos contra outras mulheres, também dentro da igreja. Na primeira audiência de instrução, duas testemunhas de acusação, incluindo uma das vítimas, foram ouvidas, e uma nova sessão foi marcada para 1º de dezembro. O réu permanece em liberdade, apesar do pedido do Ministério Público de prisão preventiva, que ainda aguarda decisão judicial. O caso tramita em segredo de justiça, dada a gravidade das acusações de violação sexual.









