Neste domingo (11/10), uma cerimônia de despedida marcada por forte comoção e aplausos ocorreu em Belo Horizonte, ao acompanhar o cortejo com os corpos dos militares mortos na queda de uma aeronave da Polícia Militar. Os corpos do tenente-coronel Luís Fernando Silvestre, da tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e da tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida foram conduzidos da Academia da Polícia Militar, localizada no bairro Prado, na região Oeste da capital, até o Cemitério Bosque da Esperança, onde ocorrerá o sepultamento.
O velório, realizado na própria academia, foi encerrado por volta das 14h30, após uma cerimônia reservada à presença de familiares, amigos, representantes da corporação e autoridades estaduais, incluindo o governador de Minas Gerais, Mateus Simões. A cerimônia ocorreu sem a presença da imprensa, em respeito às famílias e às tradições fúnebres da Polícia Militar.
O cortejo, composto por viaturas do Corpo de Bombeiros, saiu em silêncio da academia e seguiu pela avenida Cristiano Machado, rumo ao cemitério, com previsão de sepultamento às 16h. As homenagens refletiram a dor coletiva pela perda de três profissionais que dedicaram suas vidas à segurança pública.
O governador Mateus Simões, presente na despedida, lamentou a tragédia e destacou a trajetória dos militares falecidos. Ele recordou que a perda coincide com o segundo aniversário da morte do helicóptero dos Bombeiros, vítima de acidente semelhante. “Perdemos há dois dias parte do coração do nosso comando aéreo. O coronel Silvestre era um dos pilotos mais reconhecidos do Brasil na área de segurança pública. Gabriela Emília foi a primeira mulher a pilotar aeronaves de asa fixa no nosso comando aéreo, representando uma conquista importante. Alice, ainda jovem, tinha uma carreira promissora e um futuro pela frente”, afirmou.
A tragédia ocorreu na sexta-feira (9/10), quando a aeronave Pégasus 17, do Comando de Aviação do Estado (Comave), caiu nas proximidades do Aeroporto Regional de Ipatinga, no Vale do Aço. O avião decolou às 15h16 do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e realizava uma rotina de rechecagem de proficiência dos pilotos, procedimento comum na corporação. Segundo informações da Polícia Militar de Minas Gerais, a manutenção do equipamento estava em dia, com documentação válida até abril de 2027.
O tenente-coronel Luís Fernando Silvestre, de 49 anos, comandava o Comave e tinha uma carreira de 24 anos na Polícia Militar, dos quais 19 dedicados à aviação de segurança pública. Piloto, instrutor e examinador credenciado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Silvestre acumulava mais de cinco mil horas de voo. Gabriela Emília, de 33 anos, era mãe de dois filhos e havia retornado recentemente da licença-maternidade. Ela foi a primeira mulher habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa no Comave. A tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida, de 34 anos, nasceu em Governador Valadares e se mudou ainda criança para Caratinga, onde estudou em escolas públicas antes de ingressar na Polícia Militar e se tornar piloto da corporação.
As causas do acidente estão sendo investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). A Polícia Militar de Minas Gerais reforça que a aeronave estava em condições regulares de operação, e a perícia deverá esclarecer os fatores responsáveis pela tragédia que ceifou a vida de três profissionais dedicados à segurança pública do estado.







