Familiares, amigos, autoridades da Polícia Militar e representantes do governo de Minas Gerais reuniram-se neste domingo (11/10) para velar os corpos do tenente-coronel Luís Fernando Silvestre, da tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e da tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida, vítimas de um acidente aéreo ocorrido na última sexta-feira (9/10). Os corpos foram levados para a academia da Polícia Militar, localizada no bairro Prado, na região Oeste de Belo Horizonte, onde ocorreram as homenagens em cerimônia reservada à imprensa e ao círculo mais próximo dos militares.
O acidente que resultou na morte dos três pilotos aconteceu nas proximidades do Aeroporto Regional de Ipatinga, no Vale do Aço, e gerou grande comoção na corporação e na sociedade mineira. O helicóptero da Polícia Militar, modelo Pégasus 17, caiu durante uma operação de rotina, enquanto realizava uma rechecagem anual de proficiência dos pilotos, procedimento padrão para garantir a qualificação e a segurança das aeronaves. Segundo informações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a manutenção da aeronave estava regular, com documentação válida até abril de 2027, e não há indícios iniciais de problemas técnicos que possam ter contribuído para o acidente.
O velório contou com a presença do governador de Minas Gerais, Mateus Simões, que expressou pesar pela perda dos militares e relembrou uma tragédia semelhante ocorrida há exatamente dois anos, quando o helicóptero Arcanjo 04, dos Bombeiros, caiu na Serra de Ouro Preto, vitimando seis profissionais. Durante sua fala, o governador destacou a importância e o reconhecimento pelo trabalho dos pilotos de segurança pública, além de homenagear as trajetórias de cada um dos militares mortos. “Perdemos há dois dias parte do coração do nosso comando aéreo. O coronel Silvestre era um dos pilotos mais reconhecidos do Brasil na área de segurança pública. Gabriela era a primeira mulher a pilotar aeronaves de asa fixa no nosso comando aéreo, um exemplo de conquista e coragem. E a tenente Alice, que ainda tinha toda uma vida pela frente, deixa um legado de dedicação e esperança”, afirmou.
Luís Fernando Silvestre, de 49 anos, comandava o Comando de Aviação do Estado (Comave) e possuía 24 anos de carreira na Polícia Militar, com 19 anos dedicados à aviação de segurança pública. Piloto, instrutor e examinador credenciado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ele acumulava mais de cinco mil horas de voo. Gabriela Emília, de 33 anos, tinha retornado recentemente da licença-maternidade e era mãe de dois filhos. Ela foi a primeira mulher habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa no Comave. A tenente Alice, de 34 anos, nasceu em Governador Valadares e se mudou ainda criança para Caratinga, onde estudou em escolas públicas antes de ingressar na Polícia Militar e se tornar piloto da corporação.
A aeronave decolou às 15h16 de sexta-feira do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e, durante a operação, sofreu a queda nas imediações do Aeroporto Regional de Ipatinga, no distrito de Ipatinga, no Vale do Aço. As circunstâncias exatas do acidente ainda estão sendo investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). O sepultamento dos três militares está marcado para às 16h no cemitério Bosque da Esperança, na capital mineira, encerrando uma homenagem que reforça a importância do trabalho de segurança aérea na região.








