A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) iniciou um inquérito para investigar uma denúncia feita por uma mãe, que alega que um motorista de aplicativo se negou a realizar uma corrida com ela e sua filha autista. A investigação está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada em Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso, localizada em Belo Horizonte.
O caso ganhou destaque após Elisa Albuquerque, uma profissional autônoma de 37 anos, compartilhar um vídeo em suas redes sociais relatando o incidente ocorrido na terça-feira, 14 de novembro, no bairro Vila Jardim São José, na Região da Pampulha. Em entrevista à rádio Itatiaia, Elisa descreveu a situação, afirmando que o motorista não ligou o carro após sua entrada no veículo com a filha de dois anos. “Ele estava olhando para o lado da janela e, em seguida, disse: ‘Não. Pode cancelar a corrida, não vou levar você com essa criança, não’. Fiquei paralisada. Minha filha não estava chorando nem suja”, declarou.
Elisa comentou que, enquanto tentava compreender a recusa do motorista, lembrou que sua filha estava usando um cordão de identificação que indica seu autismo. “Ao sair do carro, me senti muito pequena, pois nunca havia passado por algo semelhante”, relatou. Após sair do veículo, a mãe bateu a porta, o que gerou uma nova discussão entre ela e o condutor. A rádio Itatiaia teve acesso a uma gravação que captura parte da conversa, na qual Elisa afirma que o motorista se recusou a seguir viagem devido à condição de sua filha, e o homem responde de forma desdenhosa: “Você que é autista”.
A mãe interpretou essa resposta como um reflexo do preconceito que o motorista nutria em relação à sua filha. “Ele não mencionou que não tinha uma cadeirinha, e minha filha estava tranquila, no meu colo, sem qualquer crise”, enfatizou. Vale lembrar que, de acordo com a Lei 14.071, de 2020, regulamentada pela Resolução Contran 819, em vigor desde abril de 2021, crianças com idade entre 1 e 4 anos, ou que pesem até 18 quilos, devem ser transportadas em cadeirinhas adequadas.
A Uber, plataforma utilizada pelo motorista, emitiu uma nota informando que a interação entre o motorista e a usuária foi gravada e reportada pelo condutor. Após análise do material, a empresa afirmou que não houve recusa de viagem. A nota ainda expressa que a Uber lamenta a discussão e se coloca à disposição das autoridades para colaborar com a investigação. A empresa destacou que não tolera discriminação em suas viagens e reafirmou seu compromisso com a promoção do respeito, igualdade e inclusão para todos os usuários do aplicativo. A Uber orientou que, em casos de tratamento desrespeitoso por parte dos motoristas, os usuários devem reportar os incidentes para que medidas adequadas sejam tomadas.
A situação gerou repercussão nas redes sociais, levantando discussões sobre a inclusão e o respeito às pessoas com deficiência, além da responsabilidade dos motoristas de aplicativo em relação ao transporte seguro de crianças. A Polícia Civil segue investigando o caso e ouvirá todos os envolvidos para esclarecer os fatos.








