O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou João Rodrigues de Souza Junior, conhecido como Nerete, a uma pena de 26 anos e oito meses de prisão por envolvimento no homicídio do carroceiro Antônio Carlos, de 56 anos, ocorrido em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (24) após julgamento realizado no Fórum local.
De acordo com as investigações, João Rodrigues, que possui ligações com o tráfico de drogas na região, foi apontado como o mandante do crime. Ele teria ordenado a execução do carroceiro em agosto de 2023, motivado por um boato de que Antônio Carlos teria praticado estupro de vulnerável. A acusação indica que o mandante teria enviado dois subordinados para realizar o assassinato, ambos já julgados e condenados anteriormente.
O homicídio aconteceu no bairro San Marino, no dia 26 de agosto de 2023, e a vítima foi atingida por 17 tiros. O crime foi filmado por um vídeo que circulou em grupos de WhatsApp, mostrando um homem de camisa branca efetuando vários disparos contra Antônio Carlos, mesmo após a vítima já estar caída. As imagens geraram comoção e reforçaram a brutalidade do ato, além de evidenciar a execução como uma espécie de vingança motivada por boatos infundados.
Durante as investigações, os policiais descobriram que Antônio Carlos mantinha uma relação consensual com uma adolescente de 16 anos, o que, segundo especialistas em legislação brasileira, não constitui crime, especialmente com o aval dos familiares da jovem. Essa informação foi utilizada para demonstrar que o motivo do crime não tinha relação com supostos atos ilícitos praticados pela vítima, desmistificando a narrativa de que ele teria cometido um estupro.
João Rodrigues, considerado o mentor do homicídio, foi preso após a investigação que durou meses. Os dois subordinados que executaram o crime também foram julgados e condenados. Ricardo Augusto Silva Ferreira de Melo, que conduziu o executor ao local do crime, recebeu uma pena de 18 anos de prisão. Já Douglas Pereira Gomes Rodrigues, responsável pelos disparos, foi condenado a 13 anos e seis meses de reclusão. Ambos tiveram suas sentenças confirmadas em setembro de 2025.
O processo que levou às condenações teve início com os indiciamentos realizados em dezembro de 2023. Na ocasião, o autor dos disparos e o motorista que levou o executor foram presos, enquanto João Rodrigues permanecia foragido até sua captura e julgamento. A condenação reflete a gravidade do crime e a determinação da Justiça em responsabilizar os envolvidos por um ato que, além de brutal, foi motivado por informações falsas e sensacionalistas, com consequências trágicas para a vítima e sua família.







