A Justiça de Minas Gerais concedeu liberdade provisória ao argentino Nahuel Jeremías Maldonado, de 29 anos, preso em flagrante por racismo durante a partida entre Cruzeiro e Boca Juniors, no Mineirão, em Belo Horizonte. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (30), em audiência de custódia.
Maldonado, que mora em Nova Lima e possui documentação regular no Brasil, terá que cumprir uma série de medidas cautelares. Entre elas estão o uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias, recolhimento domiciliar noturno durante a semana e integral aos fins de semana e feriados, além de comparecimento periódico à Justiça. Ele também está proibido de frequentar o Mineirão por seis meses.
Na decisão, o juiz considerou que a prisão em flagrante foi legal, mas entendeu que não há necessidade de manter o investigado preso neste momento, já que ele é réu primário e não tem antecedentes criminais.
O Ministério Público de Minas Gerais informou que acompanha o caso e vai analisar as imagens e o andamento do inquérito para decidir sobre a responsabilização do investigado.
Relembre caso de racismo no Mineirão
O caso ocorreu na noite de terça-feira (28), durante jogo válido pela fase de grupos da Copa Libertadores. Segundo o registro policial, o torcedor teria feito gestos racistas em direção à torcida do Cruzeiro, incluindo a imitação de um macaco.
A abordagem foi feita por seguranças do estádio e policiais militares após denúncias e registros em vídeo. O argentino foi levado à delegacia, ouvido e teve a prisão confirmada pela Polícia Civil pelo crime de discriminação racial.
Relatos incluídos no processo indicam que profissionais da imprensa e seguranças ajudaram a identificar os gestos e acionaram a equipe responsável pela detenção ainda dentro do estádio.
Em nota, o Mineirão afirmou que repudia qualquer ato de racismo e destacou que mantém sistemas de monitoramento para auxiliar as autoridades. O Cruzeiro informou que apura o episódio e que pretende acionar a Conmebol.







