Três mulheres de Belo Horizonte registraram denúncias contra um funcionário de uma academia local, acusando-o de praticar atos de gordofobia, ofensas e ameaças nas redes sociais. As vítimas relataram, em entrevista à Itatiaia nesta quarta-feira (5), que foram alvo de comentários depreciativos relacionados ao corpo, com apelidos como “baleia” e “imensa”. A advogada Tamires Pamela Macedo Moura, que representa parte das vítimas, informou que já há pelo menos cinco processos judiciais relacionados ao caso e que novas denúncias continuam chegando ao escritório de advocacia.
Segundo as denúncias, o acusado, Marcelo Rocha, marido da proprietária da academia Ao Corpo, teria se envolvido em diversas ações de ofensa e gordofobia. A defesa do acusado e da academia nega as alegações, afirmando que os fatos apresentados não correspondem à realidade. A nota oficial divulgada pelos advogados sustenta que as acusações são infundadas e que não há provas que as sustentem.
O caso veio à tona após uma das vítimas, Carolina Di Giacomo, publicar um vídeo nas redes sociais relatando que Marcelo teria feito comentários negativos sobre suas fotos de férias. Ela afirmou que, ao postar um carrossel de imagens de lazer, o homem comentou que ela “não estava legal”, mesmo sem ter tido contato anterior com ele. Segundo ela, ao questionar o comentário, Marcelo justificou que tinha o direito de opinar por ela ter se exposto na rede social, além de fazer comentários ofensivos sobre sua condição de lipedema e sugerir que ela deveria “se tratar”. Carolina também relatou que Marcelo fez comentários sobre o marido dela, chamando os homens que interagiam com suas publicações de “machos escrotos”, embora ela alegue que apenas seu esposo comentava em suas fotos.
A denunciante afirmou que as ofensas persistiram após a conversa, incluindo a publicação de um vídeo com uma capivara fazendo referência a ela e uma ameaça de processos judiciais caso ela não apagasse as publicações. Ela também relatou ter recebido mensagens do advogado do investigado, consideradas por ela como debochadas.
Outra vítima, Dayane Magalhães, revelou que também foi alvo de ofensas por Marcelo há cerca de dez anos e que, após um episódio recente, decidiu denunciar. Ela relatou que, em 30 de julho, durante uma parada de trânsito, Marcelo teria se aproximado do seu veículo, batido no capô e feito comentários ofensivos relacionados ao peso, chamando-a de “gorda”, “baleia” e “imensa”. Após o episódio, Dayane publicou um vídeo relatando o ocorrido e afirmou que outras mulheres procuraram por ela, indicando que mais de 30 a 40 vítimas podem ter sido atingidas por ações semelhantes do acusado.
A modelo plus size Jennifer Correia também confirmou ter sido alvo de comentários ofensivos por Marcelo em uma publicação profissional. Ela relatou que, durante uma campanha de biquíni na qual atuava como modelo, o homem teria sugerido que ela deveria fazer dieta, o que ela considerou uma ofensa e uma demonstração de preconceito.
A resposta oficial da academia e do advogado de Marcelo Rocha, divulgada em nota, nega as acusações e sustenta que Marcelo teria sido vítima de uma tentativa de atropelamento por parte de Dayane Magalhães, que, segundo a defesa, teria gravado vídeos na porta da academia para acusar a instituição de práticas de gordofobia e outras ofensas, sem provas ou testemunhas. A nota também afirma que Marcelo não se lembra de ter conhecido Dayane e que as alegações de ofensas não ocorreram, além de alegar que as ações da vítima visam prejudicar sua reputação.
A defesa reforça que os fatos estão sendo apurados e que medidas judiciais estão sendo tomadas para esclarecer o caso. A academia Ao Corpo declarou que repudia qualquer forma de discriminação ou preconceito, garantindo que o estabelecimento mantém uma política de acesso igualitário a todas as pessoas, independentemente de características físicas, gênero ou orientação sexual.
A reportagem aguarda manifestação oficial de Marcelo Rocha para complementar as informações.








