A Polícia Civil do Tocantins anunciou nesta segunda-feira (28/9) o indiciamento do advogado Igor Veloso de Sousa, suspeito de ser o responsável pela morte do próprio filho, Gustavo Feitosa Veloso, de apenas três anos de idade. Além dele, sua madrasta, Kathellen Moreira, também foi formalmente acusada pelos mesmos crimes, incluindo vicaricídio, abuso sexual de vulnerável e fraude processual. Ambos estão presos desde o dia 5 de agosto, após a conclusão das investigações que apontam para uma série de agressões e violência sexual contra a criança.
O menino morreu em 3 de agosto, em circunstâncias que inicialmente levantaram versões divergentes. Igor Veloso de Sousa alegou que Gustavo teria se afogado em uma piscina, uma narrativa que foi posteriormente contestada pelas perícias e investigações. A investigação revelou que Gustavo sofreu múltiplas agressões físicas e violência sexual, o que resultou em sua morte. As conclusões indicam que as lesões no ânus da criança foram provocadas por inserção de objetos, e que ela ainda estava viva no momento em que essas agressões ocorreram, o que fundamenta a acusação de estupro de vulnerável e tortura.
A investigação também identificou uma tentativa de fraude processual. Segundo o delegado Menezes, houve manipulação na cena do crime, com a suposta movimentação do corpo do menino para simular que ele havia acordado e sido encontrado morto, uma ação que evidencia a tentativa de encobrir as verdadeiras causas da morte. Além disso, a polícia revelou que Igor e Kathellen esconderam celulares antes de serem presos, o que dificultou a coleta de provas e reforça a suspeita de tentativa de obstrução da justiça.
A decisão judicial de trancar a investigação contra Sabrina Silva Feitosa, mãe biológica de Gustavo, e Stella Bueno, advogada dela, foi fundamentada na ausência de justa causa, após análise da denúncia. A Justiça do Tocantins também negou dois habeas corpus apresentados por Kathellen, justificando que, apesar de ela ter uma filha bebê, a gravidade do caso e o risco à ordem pública justificaram a manutenção de sua prisão. O tribunal considerou que a criança está sob cuidado de uma avó, o que afastou a necessidade de sua permanência na prisão.
A defesa de Igor Veloso de Sousa e Kathellen Moreira declarou que discorda das acusações e que o indiciamento não constitui uma sentença de culpa. Os advogados ressaltaram que as responsabilidades devem ser individualizadas e fundamentadas em provas técnicas, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Em nota oficial, os defensores afirmaram que irão analisar detalhadamente o relatório final da investigação e que confiam na apuração dos fatos no decorrer do processo judicial, reforçando que qualquer conclusão definitiva deve ocorrer no âmbito do julgamento, com base em provas concretas e sem presunções.









