A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) iniciou nesta sexta-feira, 14 de outubro, uma investigação para apurar as circunstâncias que levaram à morte de Nayara Oliveira Silva, de 26 anos, ocorrida na madrugada do dia 12, no Hospital Santa Casa, localizado na cidade de Patrocínio, no Triângulo Mineiro. A jovem, que estava na oitava mês de gestação, veio a óbito após um quadro de deterioração clínica que gerou questionamentos sobre a qualidade do atendimento recebido na unidade hospitalar.
Segundo informações da PCMG, o corpo de Nayara foi encaminhado ao Posto Médico-Legal, onde foi coletado material biológico para realização de necropsia em Belo Horizonte. Além disso, foi solicitada toda a documentação médica relacionada ao caso, com o objetivo de determinar as causas exatas da morte. Os investigadores também coletaram imagens do circuito de câmeras do hospital para analisar o atendimento prestado à paciente na ocasião.
A investigação visa apurar a possibilidade de erro médico ou negligência durante o procedimento de atendimento. Para isso, estão sendo ouvidos familiares, testemunhas e os profissionais de saúde envolvidos na assistência de Nayara no dia dos fatos.
De acordo com o relato do companheiro da vítima, Nayara procurou atendimento na Santa Casa inicialmente no domingo, 9 de outubro, apresentando sintomas de mal-estar, febre, dor de cabeça e dor de garganta. Ela foi medicada com soro e recebeu orientações para realizar exames de dengue e H1N1, que posteriormente tiveram resultados negativos. Na terça-feira, 11, a jovem voltou ao hospital com piora dos sintomas, sendo atendida pelos obstetras de plantão, que constataram uma significativa redução nas plaquetas sanguíneas, levando à decisão de internação.
O acompanhante de Nayara afirmou que, antes de ser internada, ela pediu permissão para buscar roupas em casa, já que não havia levado nenhuma. Ela saiu do hospital e retornou aproximadamente uma hora e meia depois, sendo então internada na unidade. Familiares relataram que, após a internação, Nayara apresentou dores e foi percebida uma mudança na coloração do abdômen, mas os enfermeiros informaram que a médica plantonista não estava disponível para avaliar a paciente naquele momento.
Na madrugada do dia 12, Nayara começou a reclamar de dores intensas e, por volta das 5 horas, vomitou, sofrendo uma parada cardíaca que resultou na sua morte. Segundo relatos familiares, ela também começou a afirmar que não sentia mais o bebê de forma constante e notou alterações na coloração do abdômen, o que levou os familiares a procurarem assistência médica, sem sucesso imediato, devido à ausência da médica responsável.
A Santa Casa de Patrocínio apresentou uma versão diferente à polícia, afirmando que Nayara retornou ao hospital na terça-feira, às 18h, com sintomas persistentes, sendo então internada após exames, incluindo uma cardiotocografia que indicou batimentos cardíacos normais do bebê às 22h. A instituição informou que, durante a madrugada, a jovem aparentava estar bem e solicitou alta, mas, por volta das 4h30, teria sentido dores fortes e caído ao solo, sendo levada de volta ao quarto. A unidade hospitalar relatou que, na ocasião, a médica de plantão estava atendendo um parto de emergência e, apesar do mal-estar, Nayara começou a vomitar às 5h, sofrendo uma parada cardiorrespiratória que resultou na sua morte após cerca de uma hora de tentativa de reanimação.
A Prefeitura de Patrocínio declarou que acompanha o caso e busca esclarecimentos junto à Santa Casa, uma instituição filantrópica de gestão própria e independente do município. Em nota oficial, a administração municipal manifestou pesar pelo falecimento de Nayara e de sua filha, Ayla, ressaltando a solidariedade aos familiares e amigos neste momento de luto. A prefeitura também destacou que, embora mantenha parceria financeira com a Santa Casa, a gestão e os procedimentos médicos realizados na unidade são de responsabilidade da própria instituição.







