Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi levado para o Centro de Remanejamento (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte, após passar por audiência de custódia nesta quinta-feira (14). Ele havia sido preso pela Polícia Federal na manhã do mesmo dia.
Segundo as investigações, Henrique Vorcaro é suspeito de integrar o chamado “núcleo violento” de uma organização criminosa associada ao filho. O grupo é investigado por crimes como fraudes bancárias, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos.
A prisão aconteceu durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo dois grupos chamados “A Turma” e “Os Meninos”. De acordo com a Polícia Federal, essas estruturas seriam responsáveis por intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões de sistemas para atender interesses ligados ao banqueiro.
Henrique Vorcaro foi preso em um condomínio em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Depois da prisão, ele foi levado para a sede da Polícia Federal em Minas Gerais e, posteriormente, para o Instituto Médico Legal (IML) da capital, onde realizou exame de corpo de delito. No mesmo dia, foi transferido para o Ceresp Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte.
Daniel Vorcaro é apontado como dono e principal responsável pelo Banco Master, instituição que passou a ser investigada após suspeitas de emissão e negociação de títulos de crédito sem lastro. Segundo as apurações, as irregularidades teriam causado prejuízos bilionários e colocado em risco o sistema financeiro. As investigações apontam que, desde 2024, o banco e o executivo eram investigados por um esquema envolvendo a emissão de CDBs com juros acima do mercado para captar recursos e pela criação de carteiras de crédito falsas para demonstrar solidez financeira.
Segundo a Polícia Federal, parte do dinheiro arrecadado pelo banco teria sido aplicada em ativos inexistentes ou de baixa qualidade, registrados como créditos sólidos. Ainda conforme a investigação, novos aportes financeiros eram usados para pagar investidores antigos. As suspeitas levaram o Banco Central a decretar a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. Com isso, as atividades da instituição foram interrompidas e um liquidante foi nomeado.
Antes da liquidação, houve tentativas de venda do banco. Uma negociação com o Banco de Brasília, conhecido como BRB, chegou a ser anunciada, mas foi barrada por órgãos de controle e pelo Banco Central por causa de dúvidas sobre transparência e riscos ao sistema financeiro.
Também houve uma proposta da holding Fictor, em parceria com investidores dos Emirados Árabes Unidos, para comprar as ações de Daniel Vorcaro e injetar recursos no banco. A proposta perdeu validade após a liquidação da instituição.
Após a liquidação do Banco Master, a maior parte dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro do limite previsto em lei. Depois do caso, o Banco Central publicou uma resolução autorizando bancos a direcionarem ao FGC recursos recolhidos dos depósitos compulsórios, mecanismo usado para ajudar na estabilidade do sistema financeiro.





