Ao menos 14 estudantes da Escola Estadual Professor Carlos Lúcio de Assis, localizada no bairro Jardim Petrópolis, em Betim, foram vítimas de picadas com agulhas dentro da própria unidade de ensino na quarta-feira (26 de agosto). O incidente, que gerou preocupação e polêmica na comunidade escolar, ocorreu após uma aluna levar o material para a escola e entregá-lo a um colega, que passou a distribuir as agulhas entre os estudantes sob a justificativa de que elas seriam usadas para fazer tatuagens.
Segundo relato de um estudante ouvido pela reportagem, que solicitou anonimato, ele estava acompanhando um amigo quando uma aluna abriu uma mochila e retirou aproximadamente 20 agulhas. Parte do material foi entregue a outro aluno, que, sob a alegação de que as agulhas poderiam ser usadas para tatuagens, passou a picar colegas. O estudante afirmou que foi o primeiro a ser atingido, e que, posteriormente, pelo menos mais 13 estudantes também receberam picadas.
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) confirmou que houve uma ocorrência envolvendo o uso inadequado de um kit de agulhas, originalmente destinado à medição de glicose, por estudantes na escola. No entanto, a pasta não divulgou o número exato de alunos atingidos ou detalhes específicos sobre a quantidade de agulhas envolvidas. A Secretaria destacou que a direção da escola agiu prontamente ao tomar conhecimento do incidente, adotando as providências cabíveis.
A SEE esclareceu ainda que não há confirmação de contaminação por HIV ou qualquer outra doença transmissível decorrente do episódio. Além disso, a direção da escola convocou os responsáveis pelos estudantes envolvidos, comunicou o Conselho Tutelar e orientou as famílias a levarem os alunos para avaliação em unidades de saúde.
A Secretaria Municipal de Saúde também foi acionada para atuar na situação. A pasta informou que orientou o encaminhamento dos adolescentes para avaliação imediata na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Guanabara, unidade de referência na região. Outras UPAs também foram comunicadas para garantir o acolhimento e a realização de exames, atualização vacinal e possíveis medidas preventivas, incluindo a aplicação de Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para HIV, se necessário.
Um dos estudantes que procurou atendimento médico relatou ter realizado exame na quinta-feira (27 de agosto) e afirmou que não compareceu à escola na sexta-feira (28). Ele também revelou que outros colegas buscaram atendimento e alguns estão tomando medicamentos preventivos, como forma de proteção contra possíveis transmissões de HIV. Segundo o relato, há estudantes que estão realizando exames para descartar a transmissão do vírus e que alguns estão utilizando remédios preventivos, embora a quantidade exata de atendimentos e de medicamentos administrados não tenha sido divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde.
A pasta reforçou que as informações relativas aos estudantes são tratadas de forma sigilosa, com o objetivo de preservar a privacidade e os direitos dos adolescentes envolvidos. O episódio levanta questões sobre a segurança e o uso de materiais hospitalares em ambientes escolares, além de reforçar a necessidade de ações preventivas e de conscientização na comunidade escolar.









