O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, José Sérgio de Oliveira, foi formalmente indiciado pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e falsidade ideológica, após confessar o assassinato de Maryna Colucci de Jesus, uma mulher trans de 34 anos. O militar, que está preso preventivamente desde o final de agosto, sustenta que agiu em legítima defesa durante o episódio, ocorrido na cidade de Jacuí, localizada na região Sul de Minas Gerais. O caso, que ganhou repercussão após a denúncia do desaparecimento de Maryna, foi encaminhado ao Ministério Público local, conforme informações da Polícia Civil nesta sexta-feira (9).
O desaparecimento de Maryna, que era conselheira tutelar no município, mobilizou familiares e amigos, que denunciaram seu sumiço às autoridades no dia 21 de agosto. Quatro dias após o registro da denúncia, o próprio sargento procurou uma delegacia acompanhado de três advogados, confessou o crime e indicou o local onde teria enterrado o corpo, em uma área isolada na zona rural de Jacuí. A versão apresentada por Oliveira aponta que teria agido em legítima defesa, alegando que o confronto ocorreu após uma tentativa de ameaça por parte de Maryna de revelar o relacionamento deles à esposa do policial, à comunidade e à Polícia Militar.
De acordo com o relato do suspeito, ele teria procurado Maryna para uma conversa na caminhonete do militar, após ela ameaçar divulgar o relacionamento. No local, dentro do veículo, a mulher teria se exaltado, pego uma faca e tentado atacá-lo, chegando a atingir o banco traseiro da caminhonete. Segundo Oliveira, ele então efetuou “três ou quatro disparos” contra Maryna. No entanto, o laudo pericial constatou que foram feitos seis disparos na cabeça da vítima, levantando dúvidas sobre a versão do policial.
Após o crime, Oliveira afirmou ter levado o corpo na caminhonete até uma área de mata, onde o teria enterrado próximo a uma árvore. Uma faca foi encontrada no local onde o cadáver foi localizado. A prisão preventiva do sargento foi decretada durante audiência de custódia realizada em 25 de agosto, e ele permanece sob custódia desde então.
A polícia e o Ministério Público investigam o caso, incluindo a possibilidade de auxílio de terceiros na ocultação do corpo. Em entrevista ao jornal O TEMPO na época da prisão, o delegado Marcos Pimenta, do 18º Departamento de Polícia Civil de Poços de Caldas, destacou que a versão do militar levantava questionamentos. Pimenta explicou que foi encontrada uma faca no local, mas sua compatibilidade com a agressão não foi confirmada inicialmente, além de observar que o policial não apresentava lesões compatíveis com uma agressão que justificasse sua reação, especialmente considerando os seis disparos na cabeça de Maryna.
Maryna Colucci de Jesus era reconhecida por seu trabalho como conselheira tutelar em Jacuí. Após a confirmação do óbito, a prefeitura da cidade emitiu uma nota de pesar, manifestando solidariedade aos familiares, amigos, colegas de trabalho e à comunidade local. O caso evidencia questões relacionadas à violência contra mulheres trans e o impacto de conflitos pessoais que resultam em tragédias, reforçando a atenção das autoridades para o combate à violência de gênero e à garantia de direitos dessa população.









