Uma imagem obtida pela reportagem de O TEMPO mostra o buraco por onde sete detentos escaparam do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, localizado na região Oeste de Belo Horizonte, na madrugada desta segunda-feira (27/7). Ao todo, sete presos conseguiram fugir da unidade; quatro já foram recapturados no mesmo dia e três continuam foragidos.
Conforme informações obtidas pela reportagem junto a uma fonte que acompanhou o caso, o vão por onde os fugitivos passaram tem entre 30 e 50 centímetros de largura e entre 60 e 80 centímetros de altura. Depois de atravessarem o buraco, os detentos teriam saído pela parte dos fundos do Ceresp. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que a ação ocorreu por volta das 2h.
Após a fuga, a Sejusp informou que as forças de segurança mantêm “buscas ininterruptas” pelos presos que ainda não foram recapturados. O órgão também instaurou uma apuração administrativa para identificar como a abertura foi promovida e para verificar eventuais falhas na estrutura do presídio.
Para o presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindippen-MG), Jean Otoni, a fuga era previsível diante das condições enfrentadas pela unidade. Segundo ele, o Ceresp Gameleira foi projetado para acomodar 798 presos, mas hoje abriga 1.565 internos, um quadro que o sindicato classifica como de hiperlotação. “Já não falamos mais de superlotação no Ceresp Gameleira. Quando se tem o dobro de detentos esperados no local, é hiperlotação”, denunciou. Em anotações do dirigente, algumas celas originalmente destinadas a sete pessoas chegam a concentrar 27 detentos.
Otoni atribui a situação ao déficit de policiais penais. Segundo ele, um decreto estadual estabelece o efetivo da corporação em 17 mil servidores, porém aposentadorias e saídas para outras carreiras reduziram o número de profissionais em atividade. O Sindipen-MG defende a convocação de excedentes do último concurso da Polícia Penal para recompor o efetivo.
O TEMPO encaminhou à Sejusp os questionamentos apresentados pelo Sindipen-MG. A reportagem aguarda posição oficial do órgão; assim que houver resposta, o texto será atualizado.
Três dos sete detentos que fugiram do Ceresp Gameleira ainda são procurados pelas forças de segurança. De acordo com as informações divulgadas pela polícia, as buscas permanecem em curso.
Informações que possam auxiliar na localização dos foragidos podem ser repassadas, de forma anônima e gratuita, pelo Disque Denúncia Unificado (181) ou pelo portal DDU Web.







