Um prédio comercial abandonado localizado na Avenida Prudente de Morais, nº 1.001, no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi alvo de uma vistoria realizada pela Defesa Civil na manhã desta segunda-feira (10), após sofrer um incêndio na tarde do domingo (9). A inspeção revelou a presença de trincas, desplacamento de reboco, deformações na estrutura e risco de queda de vidros sobre a via pública, o que motivou a adoção de medidas preventivas para garantir a segurança dos pedestres e moradores próximos.
Conforme o relatório da equipe de fiscalização, danos diversos foram constatados em diferentes níveis do edifício. No segundo pavimento, que foi diretamente atingido pelas chamas, foram identificadas trincas, além de deformações na laje, danos no piso e acúmulo de materiais, indicando comprometimento estrutural. No primeiro andar, além das trincas, houve queda de vidros de janelas, o que gerou a necessidade de isolamento de parte do passeio público em frente ao prédio, com sinalização de segurança para evitar acidentes.
No térreo, a vistoria apontou ainda queda de materiais, desplacamento de reboco e problemas nas instalações elétricas, enquanto no mezanino foram detectadas trincas e desprendimento de reboco. No subsolo, a equipe encontrou água escura acumulada, com forte odor, atingindo aproximadamente 1,5 metro de altura, o que indica infiltrações e possíveis problemas de drenagem ou vazamentos. Os danos no terceiro e quarto andares incluíram trincas, fuligem e acúmulo de materiais, evidenciando a deterioração decorrente do incêndio e condições de insalubridade. Já o quinto pavimento não apresentou danos aparentes até o momento.
Apesar dos inúmeros sinais de deterioração, a Defesa Civil informou que, até o momento, não há indicativos de risco estrutural que possam comprometer a estabilidade do edifício ou afetar os imóveis vizinhos. No entanto, as áreas vistoriadas permanecem isoladas preventivamente, enquanto as autoridades monitoram a situação.
A empresa responsável pelo imóvel, a Oi, foi notificada pela Defesa Civil para adotar medidas emergenciais de manutenção, limpeza, fechamento e conservação do prédio, com o objetivo de reduzir os riscos de acidentes ou desabamentos. A notificação visa garantir a segurança pública e evitar novas ocorrências.
O incêndio teve início na tarde de domingo, por volta das 16h30, na Rua Marabá, próximo à Avenida Prudente de Morais, em um prédio abandonado que vinha sendo utilizado por pessoas em situação de rua. Os Bombeiros foram acionados e encontraram chamas no interior da edificação, que vinha sendo ocupada irregularmente. A hipótese mais provável, segundo os militares, é que o fogo tenha começado durante a queima de fios de cobre, possivelmente para retirada do material com fins de venda ilegal. As chamas se espalharam por colchões e outros objetos acumulados no local.
Durante o combate às chamas, uma mulher de aproximadamente 30 anos foi resgatada com queimaduras nas vias aéreas, decorrentes da inalação de fumaça quente. Ela foi encaminhada ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. A mulher informou que estava acompanhada de um homem, que até o momento não foi localizado. Os Bombeiros também encontraram dois cilindros de oxigênio no interior do prédio, que foram resfriados para evitar risco de explosão, garantindo a segurança da operação.
A fumaça tóxica gerada pelo incêndio levou os Bombeiros a orientar moradores de imóveis próximos a evitarem permanecer em suas residências durante a noite de domingo, devido ao risco à saúde causado pela toxicidade do ar. O impacto do incêndio na região foi considerado uma situação de emergência, especialmente devido à ocupação irregular e às condições precárias do prédio atingido.
Moradores do entorno relataram que o risco de incêndio era uma preocupação constante há meses. O síndico de um edifício localizado atrás do imóvel incendiado, o médico Sérgio Cordeiro, afirmou que o local apresentava movimento diário de pessoas e que os alertas às autoridades eram frequentes. Ele destacou que, há dois meses, vinha solicitando auxílio às repartições públicas, especialmente após observar a queima de fios no interior do prédio, o que aumentava o perigo de desabamento e de acidentes com materiais inflamáveis, como o depósito de gás localizado nas proximidades.
As ações de fiscalização e as notificações às autoridades e à empresa responsável continuam em andamento, visando garantir a segurança dos moradores e a preservação do patrimônio na região.









