O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), busca consolidar seu legado na Casa ao articular a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada laboral. A proposta, que esteve parada na pauta por três meses, está prevista para ser votada em primeiro turno na próxima quarta-feira, dia 14 de outubro. A iniciativa representa uma das últimas ações de Alcolumbre durante seu mandato, que se estende até fevereiro de 2027, e pode ser considerada uma vitória política e social, dado o amplo apoio popular à medida.
A tramitação da PEC foi retomada após esforços do presidente do Senado em diálogo com o governo federal, que buscava colocar a matéria em votação. A justificativa oficial para a demora na apreciação foi a preocupação de evitar que o tema influenciasse o processo eleitoral, uma estratégia comum em períodos eleitorais. No entanto, o cenário político atual indica que o tema será utilizado na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aposta na pauta para conquistar a preferência do eleitorado no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A proposta, que visa beneficiar os trabalhadores com uma jornada mais flexível, conta com o respaldo de 78% dos brasileiros, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, reforçando sua relevância social.
Além do impacto na esfera trabalhista, a iniciativa também é vista como uma tentativa de Alcolumbre de melhorar sua imagem perante a opinião pública. O senador enfrenta desgaste político no Amapá, estado que representa, especialmente após a derrota de seu candidato ao governo estadual, Clécio (União), pelo candidato Dr. Furlan (PSD), que conquistou 62% dos votos no primeiro turno. Pesquisas recentes indicam que Alcolumbre possui altos índices de rejeição, com 82% de opinião negativa, conforme levantamento do Atlas/Bloomberg divulgado em 23 de setembro, que aponta uma baixa aprovação ao seu mandato.
Este é o segundo mandato de Alcolumbre à frente do Senado, cargo que ocupa desde fevereiro de 2021, e sua permanência na presidência se estende até fevereiro de 2027. Existe a possibilidade de sua reeleição ao comando da Casa, embora o cenário político indique uma provável troca na liderança. Os nomes mais cotados para sucedê-lo na presidência do Senado em 2027 são o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, que já manifestou interesse na disputa, embora ainda não tenha confirmado sua candidatura. Há uma expectativa de que a direita possa unificar um nome para liderar o Senado na próxima gestão.
Durante sua gestão, Alcolumbre promoveu diversas votações de destaque. Entre elas, a aprovação de uma proposta do governo federal que prevê isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 mensais, com previsão de ampliação desse benefício até o fim de 2025. A partir de 2027, quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 mensais também será beneficiado com uma redução gradual no imposto devido. No campo da segurança pública, foi aprovado o PL Antifacção, que estabelece punições de até 40 anos de prisão para líderes e integrantes de organizações criminosas ultraviolentas, além de projetos relacionados à proteção de crianças na internet, como o ECA Digital, e medidas de proteção às mulheres, incluindo monitoramento eletrônico de agressores.
Outros projetos relevantes aprovados sob sua gestão incluem a regulamentação de plataformas de apostas online, a implementação da tarifa social de energia — que garante gratuidade total na conta de luz para famílias de baixa renda — e a tramitação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que permaneceu por duas décadas em discussão no Congresso. Essas ações refletem uma agenda de reformas e políticas públicas de impacto social e econômico, consolidando a atuação de Alcolumbre na presidência do Senado.







