A erosão na avenida do Contorno, no bairro Funcionários, região Centro-Sul de Belo Horizonte, permanece sem solução definitiva há mais de três anos, causando interrupções na calçada, dificuldades de circulação para pedestres e transtornos no fluxo de veículos. A situação, inicialmente marcada por uma simples delimitação com cones, agravou-se em junho deste ano, quando a prefeitura instalou barreiras de concreto que invadiram a faixa de rolamento de uma das vias mais movimentadas da capital mineira.
De acordo com informações oficiais divulgadas pela Prefeitura de Belo Horizonte nesta quarta-feira, 30 de setembro, a interdição parcial da calçada é uma medida de segurança temporária durante as obras de reparo de uma erosão no terreno. A erosão, segundo a administração municipal, teria sido ocasionada pelo rompimento de uma adutora em 2023, embora a Copasa, concessionária responsável pelo abastecimento de água na região, negue qualquer relação com o incidente. A prefeitura estima que os trabalhos de recuperação estrutural sejam concluídos até o final de outubro, após o que será realizada a recomposição definitiva do passeio e da área afetada.
A demora na resolução do problema tem gerado questionamentos entre moradores, comerciantes e trabalhadores da região. José Antônio Carlos, de 63 anos, zelador do condomínio comercial Dr. Justo Antônio, localizado em frente ao trecho interditado, acompanha de perto os impactos da erosão. Ele relata que a situação vem atrapalhando a rotina de pedestres e motoristas, especialmente nos horários de pico, e que a expectativa por uma solução definitiva é grande. “Arrebentou uma adutora da Copasa. A água invadiu o prédio ao lado, inundou a garagem e derrubou um muro. Colocaram uns cones e só agora, três anos depois, vieram mexer. E isso atrapalha demais a vida de todo mundo”, afirma.
Pedro Cesar, de 65 anos, que passa diariamente pelo trecho, também relata dificuldades. Com o calçamento interditado por tapumes, o aposentado encontra obstáculos na circulação, especialmente por usar bengala para se apoiar. “Preciso da bengala para me dar apoio e, com essa volta que preciso dar, fico mais vulnerável às irregularidades do passeio, que são muitas”, explica.
No local interditado, há uma cratera que preocupa moradores e trabalhadores, sobretudo com a previsão de chuvas intensas nos próximos dias. Antônio Carlos, zelador, teme que as precipitações agravem ainda mais a erosão antes da conclusão das obras. A prefeitura confirmou que o rompimento da adutora provocou o carreamento de solo e comprometeu uma estrutura subterrânea, com material avançando para o subsolo de um edifício próximo.
A previsão meteorológica indica aumento na probabilidade de chuvas a partir de 1º de outubro, com pancadas e trovoadas isoladas até pelo menos o domingo seguinte, o que aumenta o risco de novos danos na área afetada.
A Copasa, por sua vez, negou qualquer rompimento de adutora na região, afirmando que a situação não estaria relacionada aos seus serviços. A companhia declarou que “não houve rompimento de adutora no local mencionado” e que “a situação não está relacionada aos serviços prestados pela empresa”. A Prefeitura de Belo Horizonte tentou obter esclarecimentos adicionais junto à Copasa, mas não obteve retorno até o momento.
A persistência do problema evidencia a complexidade das intervenções necessárias para solucionar a erosão, bem como a demora na execução das obras de recuperação, que impactam a mobilidade urbana, o comércio local e a segurança dos pedestres na avenida do Contorno.









