O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou-se nesta quarta-feira (2) em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, diante da crescente pressão da oposição para que os pedidos de impeachment contra o magistrado sejam analisados pelo plenário da Casa. A declaração ocorreu durante sessão no plenário do Senado, após os senadores Carlos Viana (PSD-MG) e Carlos Portinho (PL-RJ) cobrarem uma posição oficial do presidente da Casa acerca dos requerimentos que solicitam o afastamento de Moraes.
Alcolumbre, que até o momento não indicou se pretende dar andamento aos pedidos de impeachment, afirmou que vem sendo alvo de críticas nos últimos dias e que irá se manifestar “no momento oportuno”. Sua fala trouxe uma defesa indireta ao ministro, ao afirmar que o foco das acusações tem recaído exclusivamente sobre Moraes, destacando uma alegação que remete a um episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo Alcolumbre, “todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. Agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes”. Essa declaração foi interpretada como uma referência às investigações envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
As críticas à atuação de Moraes aumentaram após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro, incluídas em relatório da Polícia Federal, que revelaram contatos do banqueiro com o ministro do STF. Segundo o documento, Vorcaro teria procurado Moraes em busca de auxílio em investigações e processos relacionados ao Banco Master. Essas mensagens geraram forte repercussão na oposição, que intensificou a cobrança para que o Senado avaliasse os pedidos de impeachment apresentados contra Moraes.
Além disso, o relatório também revelou conversas entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Nelas, há menções a uma viagem de Gonet a Londres, para participar de um evento patrocinado pelo Banco Master, com intermediação de um advogado. Essas informações reforçam as suspeitas de uma possível tentativa de contato de representantes do Ministério Público com interesses ligados ao banco, o que alimenta a narrativa de conflito de interesses ou de tentativa de influência em investigações judiciais.
Apesar da pressão por parte da oposição, Davi Alcolumbre ainda não sinalizou que pretende colocar em pauta qualquer dos pedidos de impeachment contra Moraes. A tramitação dessas solicitações depende de uma decisão exclusiva do presidente do Senado, que possui a prerrogativa de decidir sobre a inclusão ou não dos requerimentos na pauta de votações. Assim, o futuro dos pedidos de afastamento do ministro do STF permanece incerto, enquanto o presidente da Casa mantém postura de cautela e aguarda o momento adequado para se posicionar oficialmente.







