Os candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) manifestaram forte oposição à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal, considerando a medida uma “conversa fiada” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As declarações ocorreram em um momento de acirrado debate político sobre as estratégias de combate ao crime organizado e a autonomia dos estados na implementação de políticas de segurança.
Ronaldo Caiado, atual senador e ex-governador de Goiás, destacou que a ausência de ações eficazes na área de segurança compromete a governabilidade do país. Segundo ele, o Brasil vive atualmente um cenário de conflito, com grande parte do território sob o controle de organizações criminosas. Para Caiado, o governo federal teria se rendido às pressões do crime, demonstrando fraqueza diante do enfrentamento às facções criminosas. Ele afirmou que, na sua visão, a segurança pública é condição fundamental para a estabilidade governamental e que, apesar da crise, há possibilidades concretas de combate ao crime, incluindo a autonomia para que os governadores legislem sobre o tema.
Caiado criticou ainda a postura do presidente Lula, alegando que ele tenta transferir a responsabilidade pela insegurança para os governos estaduais e o Congresso Nacional. Segundo o senador, se o governo federal tivesse interesse real em implementar as medidas propostas na PEC da Segurança, teria utilizado Medidas Provisórias — instrumentos legais de rápida tramitação — para colocar as ações em prática, mas isso não ocorreu. Para Caiado, a justificativa do presidente Lula de que a PEC é necessária é uma estratégia para desviar a atenção do fato de que o Executivo poderia agir por meio de outros mecanismos legais, sem a necessidade de uma mudança na Constituição.
Renan Santos, representante do movimento Missão, também criticou a proposta do governo Lula, reforçando que a intenção do Partido dos Trabalhadores (PT) há décadas é concentrar o poder das polícias sob controle centralizado. Para ele, essa centralização não visa combater efetivamente o criminalidade, mas sim ampliar o controle político sobre as forças policiais. Renan afirmou que, na sua avaliação, o projeto do PT e do governo Lula representa uma tentativa de fortalecer o poder do Executivo às custas da autonomia dos estados, o que, na opinião dele, não é uma solução legítima para o problema da segurança pública.
Além disso, Renan Santos alertou que, caso os estados não adotem políticas eficazes de combate ao crime organizado, poderão sofrer intervenções. Ele criticou ainda a proposta do PT de entregar ao governo federal uma maior fatia do controle sobre as forças policiais estaduais, o que, na visão dele, não contribuiria para a redução da criminalidade e poderia enfraquecer a autonomia estadual na gestão da segurança.
Ambos os candidatos reforçam a tese de que a segurança pública deve ser uma prioridade que exige ações concretas, e não apenas discursos políticos. A oposição à PEC da Segurança Pública apresentada pelo governo Lula reflete o debate em torno do papel do Estado na repressão ao crime organizado e na autonomia dos entes federais na formulação de políticas públicas de segurança. A controvérsia evidencia as divergências entre os diferentes poderes e atores políticos sobre as melhores estratégias para enfrentar a violência e a criminalidade no país.








